Rúben Amorim fez parte da geração do Benfica que entre 2009 e 2015 conquistou cinco edições da Taça da Liga. Numa altura em que a competição ainda tinha como alcunha uma definição algo pejorativa que advinha do principal patrocinador — taça da carica –, o médio venceu a terceira competição nacional ainda com Quique Flores e depois com Jorge Jesus. Pelo meio, num empréstimo ao Sp. Braga, fez parte do grupo de José Peseiro que derrotou o FC Porto em Coimbra e somou mais ao próprio palmarés.

Este sábado, ao vencer novamente o FC Porto na final da Taça da Liga mas enquanto treinador, Rúben Amorim tornou-se o primeiro a conquistar o troféu tanto dentro de campo como fora dele, tendo agora sete edições da competição no próprio palmarés (igualando Luisão, ainda que o brasileiro só a tenha vencido enquanto jogador). O treinador minhoto, que substituiu Ricardo Sá Pinto no final de 2019, ainda não conhece outro resultado ao comando do Sp. Braga que não a vitória e chega ao primeiro título ao quinto jogo — um registo assinalável para um técnico que ainda não tinha qualquer experiência no principal palmarés do futebol português. Em 2020, Rúben Amorim leva cinco vitórias em cinco jogos, 14 golos marcados, uma folha limpa, duas vitórias frente ao FC Porto e uma frente ao Sporting. Um registo que já tinha sido antecipado esta semana por Alan, antigo jogador dos minhotos que em 2013 marcou o golo da vitória que valeu a Taça da Liga ao Sp. Braga, que disse que Amorim seria “o treinador mais falado do mundo, com cinco jogos, cinco vitórias e uma Taça”.

Amorim chegou ao comando técnico do Sp. Braga depois de alguma erosão da figura de Sá Pinto: não pela campanha do clube da Liga Europa, já que os minhotos se apuraram para os 16 avos no primeiro lugar do respetivo grupo, mas sim pelos resultados a nível interno. Além de já estar eliminado da Taça de Portugal, onde perdeu com o Benfica nos oitavos de final, o Sp. Braga está no quinto lugar da classificação e teve dificuldades em manter a regularidade durante a primeira metade da temporada, perdendo pontos com o Boavista, com o Desp. Aves e com o P. Ferreira. A conquista da Taça da Liga, aliada à injeção de frescura e ao ímpeto vencedor que chegou com Rúben Amorim, acaba por ser a alavanca de que a equipa precisava para o resto da época, onde ainda vai tentar chegar aos lugares de acesso às competições europeias e avançar o mais possível na Liga Europa.

Já depois do jogo, o treinador minhoto reconheceu que a equipa teve “a estrelinha” mas garantiu que fez “por merecer”. “Os jogadores estiveram excelentes. Voltámos a ter a estrelinha no fim mas fizemos por merecer. Entrámos muito bem mas o FC Porto equilibrou. Na segunda parte, o jogo tornou-se difícil mas os jogadores estão de parabéns e merecem. Não existe segredo, é ter bons jogadores”, explicou Rúben Amorim. Já em declarações à SPORT TV, o técnico acabou por reconhecer o trabalho feito por Sá Pinto na primeira parte da temporada e ressalvou a importância da conquista da Taça da Liga para o clube e para a cidade, principalmente tendo em conta que os minhotos conseguiram vencer o troféu no Municipal de Braga.

“Foi um mês muito intenso. Quero relembrar que chegamos à final four com uma equipa técnica que desempenhou um trabalho fenomenal e que essa equipa técnica também faz parte desta conquista [Ricardo Sá Pinto]. Aproveitámos o bom trabalho e vencemos a Taça da Liga. É diferente ganhar como jogador ou como treinador. Tem um sentimento também diferente, porque agora sou um pouco como um pai de todos, apesar de ter jogadores mais velhos. Fico muito feliz por eles, pelas pessoas desta cidade e também pelo presidente que arriscou bastante em acreditar em mim. Não tem medo. Sei que ele está muito feliz pela conquista deste título. Viveu-se uma semana muito intensa nesta cidade. O clube merece isto”, disse Rúben Amorim.

O treinador falou ainda sobre o facto de ainda não ter o último nível do curso de treinador de futebol — assim como Silas, técnico do Sporting. “Não pretendo fazer história nenhuma. Estão a ser preparadas as alterações [ao curso de treinador], interessa que os jogadores tenham uma experiência diferente. O maior de sempre, José Mourinho, tirou o curso no estrangeiro e não é por causa disso que deixa de ser quem é. Em Portugal também deve ser assim. Não é normal numa semana ganhar-se três jogos assim. Volto a dizer que tivemos a estrelinha em algumas vezes. Os jogadores aceitaram muito bem esta nova ideia e o primeiro jogo foi fundamental porque tivemos uma grande vitória”, concluiu o técnico minhoto.