O primeiro, o mais emotivo, aquele que foi jogado em determinado contexto, o último. A pergunta “Qual é o título mais marcante da carreira?” para qualquer jogador, treinador ou presidente tem obrigatoriamente uma escolha múltipla que anda sempre em torno destas quatro opções. Também há exceções. E também há Pinto da Costa. Por altura do 82.º aniversário, quando está a alguns meses de chegar aos 38 anos na liderança dos portistas, o decano dirigente recordou a sua conquista predileta com duas grandes explicações para esse marco em 1987.

“Primeiro, porque era inimaginável para toda a gente que um clube português pudesse ser campeão do mundo. Nunca ninguém tinha sido, um rival nosso [Benfica] já tinha disputado esse título mas não tinha conseguido vencê-lo. E também pelas condições em que foi disputado, com muita neve, que pôs o mundo espantado com a vitória do FC Porto. Em Portugal, só nós [FC Porto] conquistámos este troféu. Foi fantástico em termos de entrega, foi o mérito de um grupo que era realmente fantástico e que lutou até à última gota de suor. Foi uma vitória extraordinária”, referiu Pinto da Costa, a propósito do triunfo frente ao Peñarol na Taça Intercontinental.

Houve momentos com mais e menos títulos ao longo deste reinado do número 1 dos azuis e brancos. Por exemplo, até à chegada de Sérgio Conceição, que ganhou o Campeonato em maio e a Supertaça em agosto de 2018, o clube teve quatro anos de jejum sem qualquer conquista – algo que nunca tinha acontecido desde abril de 1982, quando foi eleito presidente. No entanto, eram já 60 conquistas de Pinto da Costa como líder dos dragões, incluindo as sete internacionais: duas Taças dos Clubes Campeões Europeus/Liga dos Campeões (1987, Bayern e 2004, Mónaco), duas Ligas Europa (2003, Celtic e 2011, Sp. Braga), duas Taças Intercontinentais (1987, Peñarol e 2004, Once Caldas) e uma Supertaça Europeia (1988, Ajax). A isso juntaram-se ainda 21 Campeonatos Nacionais, 12 Taças de Portugal e 20 Supertaças. Ou seja, faltava apenas um troféu: a Taça da Liga.

Na primeira tentativa, em março de 2010 no Algarve, houve uma derrota expressiva do FC Porto de Jesualdo Ferreira com o Benfica de Jorge Jesus, num encontro onde os encarnados até fizeram alguma rotação de jogadores por estarem ainda na Liga Europa (3-0). Na segunda, mudou o resultado mas não o destino dos azuis e brancos: em Coimbra, os azuis e brancos de Vítor Pereira perderam com o Sp. Braga de José Peseiro com um único golo apontado por Alan (1-0). À terceira podia ter sido de vez mas comprovou-se que às vezes não há duas sem três: no ano passado, frente ao Sporting de Marcel Keizer, os dragões de Sérgio Conceição caíram nas grandes penalidades (1-1, 3-1). Esta noite, novamente em Braga, novo desaire com o Sp. Braga (1-0).

O FC Porto perdeu também a terceira final consecutiva, depois das derrotas na Taça da Liga e na Taça de Portugal de 2019 frente ao Sporting, ambas por grandes penalidades. Para Sérgio Conceição, esta foi a quarta derrota em jogos decisivos porque soma ainda um desaire quando estava no comando do Sp. Braga, em 2015, numa final da Taça de Portugal de loucos que o Sporting conseguiu levar para prolongamento com dois golos nos últimos minutos com menos um antes de ser mais feliz no desempate por grandes penalidades.

Com este desaire e uma distância de sete pontos no Campeonato para o Benfica (que desde que Bruno Lage, logo em janeiro de 2019, perdeu apenas cinco pontos na Primeira Liga até hoje), o FC Porto está ainda a Taça de Portugal (meia-final com o Ac. Viseu) e na Liga Europa (Bayer Leverkusen nos 16 avos) mas se já se sentiu alguma contestação no Dragão após a derrota com o Sp. Braga, o caminho não está fácil para os azuis e brancos. E pior ficou com a “bomba” deixada por Sérgio Conceição que, após a derrota, colocou o lugar à disposição. Se a Taça da Liga continua a ser um jejum inquebrável, há algo mais importante para quebrar para o futuro do FC Porto.