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Ainda nos tempos do Manchester United, por altura da primeira Bola de Ouro que conquistou, Cristiano Ronaldo deu uma das primeiras respostas de que há memória que acabam por confirmar a total auto-confiança onde assenta tudo aquilo que faz. Numa pequena entrevista, ladeado pelos colegas Anderson e Ferdinand, a pergunta era simples: quem é o melhor jogador de sempre?. Anderson disse que era Maradona, Ferdinand concluiu. “Sou eu”, respondeu o jogador português.

O vídeo, que já tem mais do que dez anos, foi recordado ao longo desta semana pela imprensa italiana. O motivo era precisamente o jogo entre a Juventus e o Nápoles no San Paolo — um Nápoles onde Maradona é, ainda hoje, uma espécie de figura intocável e ídolo maior que representa uma glória de outrora. Na antecâmara da visita aos napolitanos, Cristiano Ronaldo atravessava aquela que é de longe a melhor fase da temporada, com 13 golos nos últimos nove jogos e uma eficácia que já não se via há algum tempo no jogador português. A meio da semana, contra a Roma de Paulo Fonseca e nos quartos de final da Taça de Itália, voltou a marcar e ainda ouviu elogios no mínimo inusitados por parte do treinador, Maurizio Sarri.

“O Cristiano está em numa condição física e mental extraordinária, está a marcar a um ritmo impressionante. Um defeito? Difícil de melhorar, é um dos maiores de todos os tempos. Seria importante para nós ajudá-lo a ganhar a sexta Bola de Ouro. Se eu ainda pudesse melhorar algo seria uma grande sorte. Parabéns à mãe dele por criar um espécime assim”, atirou o italiano, que este domingo voltava a Nápoles, o clube que treinou em Itália antes de se mudar para o Chelsea e antes de regressar à Serie A via Juventus.

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A Juventus encontrava um Nápoles que está a meio da classificação e que tem vivido uma temporada absolutamente atípica, entre desentendimentos do plantel com a Direção e uma mudança de treinador, de Carlo Ancelotti para Gennaro Gattuso. Na liderança da Serie A, a equipa de Cristiano Ronaldo entrava em campo apenas horas depois de o Inter Milão empatar em casa com o Cagliari e abrir a porta à possibilidade de a Juventus ficar com sete pontos de vantagem para o segundo lugar — algo que, tendo em conta aquilo que tem sido a hegemonia da equipa de Turim nos últimos anos, começava a tornar-se decisivo nas contas do título.

O capitão Insigne, à esquerda, marcou o segundo golo da equipa de Gattuso

Cristiano Ronaldo foi titular mas a Juventus realizou uma primeira parte muito pobre: a primeira desde o início da temporada em que não fez nenhum remate à baliza adversária. O Nápoles também não esteve muitos níveis acima e o jogo foi para o intervalo praticamente sem picos de interesse, mesmo com Sarri a arriscar e a lançar Higuaín e Dybala em conjunto com o jogador português no ataque. Na segunda parte, a Juventus voltou a ser permissiva e pouco criativa, sem encontrar soluções nas zonas mais adiantadas. Ao passar da hora de jogo, Zielinski abriu o marcador (63′) na recarga a um primeiro remate de Insigne defendido por Szczęsny — num lance onde o guarda-redes polaco não fica isento de culpa — e Sarri reagiu com as entradas de Bernardeschi e Douglas Costa. A saída de Dybala, porém, o argentino que tem estado a atravessar um bom momento e oferece dinamismo ao ataque da equipa, estagnou ainda mais o fluxo ofensivo dos bianconeri. Já dentro dos dez minutos finais, na sequência de um lance de insistência que parecia perdido, Insigne rematou à meia volta e fez um golo de belo efeito, aumentando a vantagem do Nápoles e aparentemente encerrando as contas do jogo (86′).

Até ao final, Cristiano Ronaldo ainda foi a tempo de reduzir a desvantagem e relançar a partida (90′), com um golo algo estranho em que o guarda-redes Meret acaba por ter muita responsabilidade, mas não conseguiu evitar a segunda derrota da temporada da Juventus. Ainda assim, o jogador português somou o oitavo jogo consecutivo a marcar, leva agora 14 golos nos últimos 10 jogos e estreou-se a apontar golos no San Paolo, um dos míticos estádios do futebol italiano. A Juve não aproveitou o deslize do Inter Milão e tem agora três pontos de vantagem para a equipa de Antonio Conte, naquela que está a ser uma das temporadas mais renhidas dos últimos anos em Itália.