O comentador da SIC, Luís Marques Mendes, revelou este domingo que o Governo vai lançar concursos para criar duas novas parcerias público-privadas (PPP), nos Hospitais de Cascais e de Loures.

O processo do Hospital de Cascais é o que “está mais avançado”. “Dentro de dias ou semanas”, o Governo vai lançar um novo concurso para criar uma PPP para o hospital de Cascais, revelou o comentador, adiantando que a administração fica em funções até final do próximo ano.  No caso de Loures “o processo não está tão adiantado, mas a orientação política é no mesmo sentido”. A gestão estará em funções até janeiro de 2022.

Para Marques Mendes, a decisão é “positiva”. Já as PPP do Hospital de Braga e do Hospital de Vila Franca de Xira não serão renovadas.

“O CDS de Paulo Portas acabou”

No dia em que os centristas escolheram novo líder, Luís Marques Mendes defendeu que “o CDS tradicional, de Paulo Portas, dos últimos anos acabou”, após a eleição para presidente do partido de Francisco Rodrigues dos Santos. “É uma mudança profunda. Vamos ter um CDS mais ideológico, porventura mais conservador, assumidamente de direita, eventualmente com uma maior aposta nos valores morais”.

Segundo Marques Mendes, a vitória de Rodrigues dos Santos “é uma vitória das bases contra os barões”. “É uma grande vitória de Francisco Rodrigues dos Santos”, que “tem mérito” porque “não era favorito”, mas em cada discurso que fazia “ganhava apoio”.

Para Marques Mendes, o novo presidente “representava a mudança”, num partido que não queria a continuidade. Além disso, trouxe “emoção, coração, ilusão, criação expectativa e ambição”. Francisco Rodrigues dos Santos “personificou bem o sinal dos tempos”, favoráveis “ao populismo” e “mostrou-se como um chefe”, mais do que João Almeida, defende o comentador.

No habitual espaço de comentário político, Marques Mendes disse ainda que há agora “certezas” de que Manuel Monteiro, histórico centrista, vai regressar ao partido, o que é “simbólico”. No que toca às presidenciais, “vai haver a tentação de o CDS ter o seu próprio candidato presidencial”, para “mostrar autonomia e por causa do Chega”.

A vitória de Rodrigues dos Santos terá ainda consequências “no grupo parlamentar”, devido à existência de deputados que “não são da linha de Rodrigues dos Santos”, nomeadamente com a possível “tentação de correr com Cecília Meireles para que o líder entre”. “Se isso acontecer é um erro porque Cecília Meireles é provavelmente das duas ou três melhores deputados que há no Parlamento.”

Falta saber, segundo o ex-dirigente do PSD, como o CDS “ganhará o país”. Para Luís Marques Mendes, o partido não terá uma tarefa fácil pela frente nas próximas eleições devido aos novos partidos Chega e Iniciativa Liberal (IL). “O CDS já teve no passado 4%, mas isso foi em tempos conjunturais quando Cavaco Silva e o PSD tinha 50%. Agora o PSD nem sequer tem 30% e o CDS tem 4%, ou seja, o Chega e o IL são dificuldades e, portanto, o mais difícil está para vir”.

“É inevitável que Isabel dos Santos saia da NOS e da Galp”

Sobre o caso Luanda Leaks, Marques Mendes defende que as consequências do escândalo foram “bem maiores do que eu próprio imaginava”. “É o princípio do fim do império de Isabel dos Santos, tal como ele existe até hoje”.

Quanto ao EuroBic e à Efacec já foi anunciado que a empresária sairá como acionista. “Essas vendas, não haja ilusões, não vão ser rápidas nem fácil, ela certamente não vai querer vender ao desbarato”. A prazo é inevitável que saia das outras [empresas] onde está, designadamente a NOS e a Galp”.

“Vai ser, do meu ponto de vista inevitável, a prazo, não tanto a curto prazo, mas talvez no médio prazo por razões de reputação e por razões de justiça criminal a vida de Isabel dos Santos vai cada vez menos passar pela Europa”.

Ana Gomes a presidente? Seria um “enorme incómodo para António Costa”

O socialista Francisco Assis sugeriu esta semana que a ex-eurodeputada Ana Gomes se candidatasse à presidência da República nas próximas eleições. A avançar, a decisão seria “um incómodo para muita gente”, afirma Marques Mendes. Em primeiro lugar, para Marcelo Rebelo de Sousa, que não veria a sua reeleição posta em causa, mas venceria por valores menos “estratosféricos”. Para o Bloco e PCP seria um “grande incómodo”. “Se Ana Gomes for candidata esvazia as candidaturas do Bloco e do PCP porque penetra muito bem naquele eleitorado”.

Mas “o maior incómodo, o enorme incómodo” seria para António Costa e o Partido Socialista. Porquê? Costa “não gostará da candidatura de Ana Gomes, é imposta, não desejada”. Depois porque a ex-eurodeputado suscita “divisões no PS” (foi apoiante de António José Seguro). “Acho que vai ser muito difícil a ideia de apoio do PS a uma recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa (…). Acho que António Costa vai tentar ‘forjar’ um candidato presidencial na área do PS para não ter de apoiar Ana Gomes.”