Um número crescente de freiras estão a acusar sinais de burnout, revelou a última edição do jornal oficial do Vaticano, o “L’Osservatore Romano”. Esta é uma consequência da dureza das condições de trabalho que são descritas pelo texto, em que se trabalha muitas vezes sem contrato e sem regras específicas — e que estão a levar, até, a sintomas de stress pós-traumático.

O burnout pode ser uma consequência da sobrecarga de trabalho ou do abuso de poder por parte dos superiores. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, esta é uma doença que afeta cada vez mais estas mulheres, de acordo com o jornal oficial da Santa Sé, o ‘L’Osservatore Romano’. Segundo o El Mundo, a Igreja, juntamente com a União de Superiores Gerais Internacionais, promete criar uma comissão especial que, nos próximos três anos, vai estudar o desenvolvimento desta doença.

Segundo a psicóloga e investigadora da Universidade de Boston e da Universidade de Oxford Maryanne Lounghry, citada pelo L’Osservatore Romano, estas mulheres dedicam grande parte da sua vida ao serviço dos bispos, cardeais ou da comunidade e estão sujeitas a uma hierarquia eclesiástica rígida, muitas vezes sem qualquer contrato laboral ou regras específicas de trabalho, o que pode originar casos desta doença.

Numa reportagem publicada na última edição do suplemento feminino do “L’Osservatore Romano“, algumas freiras denunciaram de forma anónima a exploração laboral e abusos por parte dos seus superiores, tornando este jornal o primeiro a quebrar o tabu em torno de um tema ocultado durante anos pela Igreja, segundo o El Mundo.

O Vaticano já se pronunciou sobre o assunto em “Mulher, Igreja, Mundo” e afirmou que vão ser analisados casos isolados e casos de stress laboral “dentro do ecossistema” da congregação, da comunidade e da sociedade.

A investigadora afirma que “trabalhar num ambiente ambíguo, sem regras” pode fazer com que a mulher se sinta “intimidada, abusada” e, consequentemente, pode acusar mais stress. Maryanne Lounghry sugere a elaboração de um código de conduta ou um contrato de trabalho com os superiores, para garantir o bem-estar das freiras e evitar o surgimento desta doença.

O Prefeito da Congregação para a Vida Consagrada, Cardeal João Braz de Aviz, garante que alguns casos de abuso estão já a ser investigados, mas sublinha que começam também a surgir “casos de abusos sexuais entre freiras”.

Na sua viagem aos Emirados Árabes Unidos, o Papa Francisco garantiu que os casos de abusos sexuais e de poder vão ser investigados.