Um total de 62 cidades europeias, três das quais portuguesas, receberam em 35 anos o título de Capital Europeia da Cultura, uma iniciativa comunitária que arrancou em 1985, para promover a dinamização cultural e a qualidade de vida.

Dados da Comissão Europeia consultados pela agência Lusa indicam que a primeira cidade a receber esta distinção foi a capital grega, Atenas, já que o projeto foi concebido há 35 anos pela então ministra da Cultura da Grécia, Melina Mercouri.

Em todos estes anos, Portugal recebeu a distinção três vezes, com as cidades de Lisboa (1994), Porto (2001) e Guimarães (2012). Portugal voltará a acolher o título de Capital Europeia da Cultura em 2027, ano no qual ‘partilha o palco’ com a Letónia, que também terá de escolher uma cidade.

Inicialmente, apenas uma cidade por Estado-membro era escolhida em cada ano, mas atualmente são selecionadas duas por país, até um máximo de três, incluindo também agora regiões de países candidatos ou com ligações à União Europeia (UE).

Assim, enquanto no ano passado as cidades eleitas foram Matera (em Itália) e Plovdiv (na Bulgária), em 2020 as Capitais Europeias da Cultura são Rijeka (Croácia) e Galway (Irlanda) e em 2021 serão Timișoara (Roménia), Elêusis (Grécia) e Novi Sad (na Sérvia, país candidato à UE). Em 2022, as cidades escolhidas são Caunas (Lituânia) e Esch-sur-Alzette (Luxemburgo) e, no ano seguinte, segue-se apenas Veszprém (na Hungria), já que o Reino Unido também deveria escolher uma capital, mas já deverá ter saído da UE nessa altura devido ao ‘Brexit’. Já em 2024, as escolhidas são Tartu (Estónia), Bad Ischl (Áustria) e ainda Bodø (na Noruega, por pertencer ao Espaço Económico Europeu).

Para chegar a esta seleção, a Comissão Europeia começa por estabelecer um calendário a longo prazo definindo dois Estados-membros por ano para, em cada um deles, ser selecionada uma Capital Europeia da Cultura. A estas acresce, de três em três anos, uma cidade de um país candidato à UE ou que tenha relações comerciais ou económicas com a União.

Cada Estado-membro é depois responsável pela organização do concurso entre as suas cidades, devendo para isso publicar um convite à apresentação de candidaturas pelo menos seis anos antes do ano do título. Após a apresentação de candidaturas, que devem focar-se na criação de um programa cultural com dimensão europeia, caberá a cada Estado-membro convocar um júri para uma pré-seleção das cidades candidatas, isto até cinco anos antes do ano do título. É este júri que vai ajudar a definir as cidades finalistas, fazendo ainda recomendações sobre as candidatas. A decisão final será dos países, devendo ser tomada até quatro anos antes do título.

A iniciativa das Capitais Europeias da Cultura visa valorizar a riqueza e a diversidade das culturas europeias de forma a dinamizar estas cidades a nível cultural, social e também económico.

Histórias de sucesso destacadas pela Comissão Europeia numa brochura informativa revelam que, em 2015, quando a cidade belga de Mons foi Capital Europeia da Cultura, cada euro de dinheiro público investido na iniciativa gerou entre 5,5 e seis euros para a economia local. Também segundo o executivo comunitário, em 2016, o título atribuído à cidade polaca de Breslávia valeu-lhe um aumento de 40% nas vendas das empresas locais do setor criativo. Foi inclusive em Breslávia que se registou um dos maiores investimentos de todos os tempos para uma Capital Europeia da Cultura, num total de cerca de 615 milhões de euros. Já em Leeuwarden, nos Países Baixos, verificou-se um número recorde de 5,8 milhões de turistas quando esta cidade deteve o título em 2018, adianta a Comissão Europeia.