É considerando um dos mais importantes artistas africanos da atualidade, capaz de misturar a tradição da música nigeriana (como o afrobeat) e ritmos como reggae e dancehall com estilos mais norte-americanos como o rap e o novo R&B. Este verão passará por Portugal, para uma atuação no festival Sumol Summer Fest.

@ Joseph Okpako/WireImage

Chama-se Damini Ebunoluwa Ogulu mas é pelo nome artístico, Burna Boy, que o mundo o ficou a conhecer. O seu impacto tem sido tanto, e tão global recentemente, que a premiadíssima Angélique Kidjo, depois de vencer este domingo o Grammy para Melhor Álbum de World Music, dedicou-lhe o galardão dizendo que há “uma nova geração de artistas vindos de África” que vão ter um sucesso estrondoso no mundo inteiro e que Burna Boy é um dos “jovens artistas” africanos que “estão a mudar a forma como o nosso continente é entendido”.

Fenómeno popular descentralizado do eixo-anglosaxónico com algumas semelhanças com a espanhola Rosalía — e outras tantas diferenças, sobretudo a ainda assim menor capacidade para a transversalidade no difícil equilibrismo entre conquistar crítica e público mais jovem —, Burna Boy nasceu na Nigéria, neto de um antigo manager do pioneiro da música africana Fela Kuti. Renovador da tradição da música do seu país, começou a fazer música no computador, através do software de composição digital Fruity Loopes.

Primeiro vieram as mixtapes, depois o primeiro álbum, L.I.F.E, em 2013. A persistência foi uma virtude e depois do segundo disco, On a Spaceship, lançado em 2015, o sucesso internacional começou a chegar com Outside (álbum de 2018) e reforçou-se estrondosamente com o disco editado no ano passado, African Giant (em português: gigante africano). Incorporando ritmos reconhecíveis de vários estilos musicais como o reggae, o afrobeat, o R&B e o dancehall, o disco solidificou a receita musical de Burna Boy: por um lado, nova e sua (até pela fusão inesperada de tantos ritmos diferentes), por outro acessível q.b. (também pela estrutura, tom festiva e duração curta dos temas), por outro ainda original e profundamente inspirada pela história da música da Nigéria, e talvez por isso inimitável por europeus ou norte-americanos.

Sobre o seu último disco, escrevia-se aqui no Observador: “É fusão, esse termo que tantos propósitos agora serve e que no caso de Burna Boy não é mentira nem moda, é verdade. Está lá o afrobeat, o ritmo do rap (“Show & Tell” é a meias com Future e “This Side” com YG), os refrões pop e celebrativos, o dancehall, e de que maneira. E está lá a história e e bandeira de um país. Parece uma espécie de festa a que toda a gente veio para abraçar o nigeriano”.

A festa de Burna Boy, para os seus ouvintes portugueses, deixará de se poder fazer apenas com os headphones no ouvido, com o vinil a rodar no gira-discos ou com o CD a tocar na aparelhagem. A 3 de julho, Burna Boy vai estar em palco em Portugal: o nigeriano tem um concerto agendado no festival Sumol Summer Fest, anunciou esta terça-feira a organização.

No mesmo dia, 3, atua um outro artista mais jovem, também emergente e que vai dando sinais de vir a ser capaz de fazer uma música que é ao mesmo tempo popular e só sua — mescla de rap e afro-dança com criolo a acompanhar —, o português Julinho KSD. No dia seguinte, 4, está já confirmado um concerto do rapper e cantor norte-americano Trippie Redd. A Ericeira é capaz de se tornar pequena para ter tanto jovem a dançar.