Da infância passada na antiga União Soviética à maternidade e à mediática separação do ator Bradley Cooper, em 2019. Os temas eram incontornáveis e foram todos abordados na entrevista que chega agora às bancas. “Penso que em todas as boas relações trazemos ao de cima o nosso melhor e o nosso pior — é a natureza do ser humano“, admite Irina Shayk, sobre um dos assuntos que mais curiosidade entre os fãs despertou no ano passado, em especial depois dos rumores que associavam Cooper a Lady Gaga, depois de uma escaldante atuação nos Óscares, há cerca de um ano. “Duas pessoas incríveis não têm que fazer um bom casal”, continua a manequim, num trabalho para o tema de capa da edição de março da British Vogue, que chega às bancas esta sexta-feira, 31 de janeiro.

Irina e Bradley estiveram juntos quatro anos e da união nasceu a filha Lea de Seine Shayk Cooper, de três. Tempo ao longo do qual a relação foi quase sempre mantida na esfera privada, protegida o mais possível do assédio das câmaras. “Tenho vários amigos que partilham muito da sua vida pessoal no Instagram ou nas redes sociais. Admiro isso e penso que é ótimo, mas também penso que é uma escolha pessoal”, chegou mesmo a justificar Irina Shayk numa entrevista à Glamour, sobre a forma como optava por gerir o seu romance.

A edição de março chega às bancas a 31 de janeiro, sob o mote “Shayk it off”

A experiência de ser mãe depois da separação é outros dos tópicos abordados na conversa mantida com Edward Enninful, o diretor da edição inglesa da Vogue, que se encontrou com a modelo em dia de Fashion Awards — sendo que até àquele momento, revela, nenhuma das opções de vestido satisfazia as conhecidas curvas de Shayk.

“Penso que tivemos muita sorte por viver o que vivemos juntos. A vida sem o B é um mundo novo”, acrescenta a entrevistada, que apesar da vida privilegiada admite que “é muito difícil encontrar um equilíbrio entre ser uma mãe solteira e uma mulher que trabalha. Acreditem, há dias em que acordo e penso: ‘Meu Deus, não sei o que fazer, estou a desmoronar”, confessou nesse encontro que decorreu em dezembro, no Bulgari Hotel, em Knightsbridge, Londres.

A super modelo foi fotografa pela dupla Mert Alas & Marcus Piggot. Na imagem usa um trench Burberry e botas Rick Owens

As fraquezas, no entanto, nem sempre serão evidentes aos olhos do público. A própria Vogue identifica o “semblante duro” da manequim de 34 anos, um traço que vai beber às suas raízes. “Tenho uma personalidade forte e sei muito bem o que quero. Penso que alguns homens têm medo disto”, descreve, confiando que este registo pode condicionar boa parte da sua vida pessoal. “Se alguém sai da minha vida, sai mesmo da minha vida, eu corto os laços de vez, entende? Penso que algumas pessoas receiam esta frieza. Também penso que muita gente não sabe que por baixo desta capa existe uma pessoa agradável, doce e que chora nas entrevistas“.”

A timidez em criança, a ausência do pai, e os primeiros passos em Paris

A conversa propicia ainda uma inevitável viagem no tempo, que leva os leitores até à terra natal, Yemanzhelinsk, e aos primeiros anos de Irina, ainda a milhas dos holofotes, uma realidade patrocinada pelo sucesso nas passerelles e produções de moda e também, naturalmente, pela ligação a nomes galácticos como o de Cristiano Ronaldo, com quem namorou durante cinco anos, até 2015.

Irina Shayk veste Gucci. Nas mãos, Ines Gloves

Perdeu o pai de forma repentina para a pneumonia, quando tinha apenas 14 anos (tem uma irmã 18 meses mais velha). Talvez porque o progenitor desejasse ter tido um rapaz, revela que durante muito tempo sentiu que “tinha nascido no corpo errado” e que acusou a responsabilidade de tomar conta da casa depois da ausência paterna. “Prometi a mim mesma que nunca me casaria para olhar pela família. Claro que mais tarde na vida passei a adorar ser mulher”, enquadra Irina, que só mais tarde se reconciliaria com os atributos que lhe abririam as portas do mundo da moda. “Sempre pensei, ‘quero ser como todos os outros’, para que ninguém se meta comigo. Era muito tímida em criança e detestava aparecer nas fotografias. Olha bem para mim agora!“, conta Shayk , que tinha 19 anos quando foi descoberta numa escola de manequins.

Irina Shayk reaparece em desfile depois da separação de Bradley Cooper

Foi com essa mesma idade que aterrou na capital francesa. “Não era nada como chegar hoje. Não havia serviço de motorista, ninguém para nos receber no aeroporto”, recorda Shayk. “Vivia num apartamento com oito modelos a partilhar duas casas de banho. Custava 50 euros por semana, 25 custava o bilhete semanal do metro. Lembro-me que às sextas, sábados e domingos não tínhamos nada para comer”.