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Um Sérgio quase deixou o barco e outro Sérgio pegou no leme (a crónica do FC Porto-Gil Vicente)

Este artigo tem mais de 2 anos

O FC Porto esteve a perder, não fez muito para ganhar mas acabou por voltar às vitórias. Sérgio Oliveira, como líder informal, marcou o golo da vitória e tem agora uma importância capital nos dragões.

O médio português não marcava para a Liga há 18 meses
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O médio português não marcava para a Liga há 18 meses

EPA

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Desde que assumiu a liderança do FC Porto, há quase 40 anos, Jorge Nuno Pinto da Costa tem conseguido distanciar o clube da palavra instabilidade. O dragões podiam não ganhar Campeonatos, podiam falhar objetivos de temporada, podiam assumir que um outro treinador foi um tiro no escuro — mas raramente, muito espaçadamente no tempo, se falou de instabilidade quando se falou do FC Porto. Já este milénio, passou o caso Apito Dourado, passaram nomes olvidáveis como Luigi Delneri ou Victor Fernández, passaram quatro títulos consecutivos conquistados pelo Benfica: e Pinto da Costa parece ter mantido sempre a palavra mais temida bem afastada do Dragão.

Esta semana, porém, a instabilidade chegou ao FC Porto. Num momento de pragmatismo raramente visto no clube, de alguma impulsividade e de relativa surpresa, Sérgio Conceição não chegou a precisar de um minuto para colocar o lugar de treinador da equipa principal do FC Porto à disposição de Pinto da Costa. O técnico abordou a falta de “dinheiro e reforços” da primeira temporada no Dragão, mencionou aquilo que diz ter sido falta de “verdade desportiva” na segunda mas abordou a falta de “união no clube” na atual como o principal motivo para colocar nas mãos do presidente o próprio futuro. Um motivo principal engrossado, é preciso recordar, por uma derrota carimbada aos cinco minutos de descontos da final da Taça da Liga perante o Sp. Braga.

Ficha de jogo

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FC Porto-Gil Vicente, 2-1

18.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Rui Oliveira (AF Porto)

FC Porto: Marchesín, Manafá (Vítor Ferreira, 60′), Mbemba, Marcano, Alex Telles, Romário Baró (Luis Díaz, 68′), Uribe, Sérgio Oliveira, Corona, Marega (Fábio Silva, 81′), Soares

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Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Diogo Leite, Saravia, Loum

Treinador: Sérgio Conceição

Gil Vicente: Denis, Fernando Fonseca, Rodrigão, Rúben Fernandes, Henrique, João Afonso, Soares, Lourency (Naidji, 79′), Kraev (Isaiah, 79′), Arthur (Romário, 45′), Sandro Lima

Suplentes não utilizados: Wellington, Alex Pinto, Edwin, Baraye

Treinador: Vítor Oliveira

Golos: Sandro Lima (45′), Marcano (45+2′), Sérgio Oliveira (57′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Sérgio Oliveira (14′), a João Afonso (14′ e 72′), Soares (90+3′); cartão vermelho por acumulação a João Afonso (72′)

Na manhã seguinte, via comunicado, Pinto da Costa segurou Conceição, reiterou a confiança no treinador e no plantel e pediu uma “demonstração de força” contra o Gil Vicente, esta terça-feira. Mas se a memória por si só não bastasse para recordar que o treinador do FC Porto colocou mesmo em cima da mesa a própria demissão numa flash interview, Sérgio Conceição fez questão de não comparecer na habitual conferência de imprensa de antevisão e a equipa treinou à porta fechada. Esta terça-feira, no Dragão, o treinador aparecia pela primeira vez publicamente desde que abriu uma caixa de Pandora que há muito não se via no clube: e sob rumores cada vez mais audíveis de que vai mesmo sair no final da temporada.

Independentemente da erosão da figura de Sérgio Conceição aos olhos da massa adepta e principalmente dos Super Dragões — cuja opinião, bem clara a cada jogo, é também um barómetro viável para medir o que se passa nos corredores azuis e brancos –, o FC Porto recebia esta terça-feira o Gil Vicente e estava obrigado a ganhar para não abrir um fosso de dez pontos de desvantagem para o Benfica. O Gil Vicente de Vítor Oliveira, que venceu os dragões em Barcelos na jornada inaugural, visitava o Porto com a intenção de voltar a surpreender: até porque a equipa de Sérgio Conceição estava desprovida de Otávio, um dos elementos em maior destaque nas últimas semanas, castigado depois de ter visto o quinto cartão amarelo contra o Sp. Braga na última jornada.

Face ao castigo do avançado brasileiro, Sérgio Conceição lançava no onze inicial o jovem Romário Baró, que não era titular desde setembro. Face à final da Taça da Liga com o Sp. Braga, o treinador fazia três alterações para lá da saída de Otávio: saíam também Diogo Costa, Danilo (que não recuperou de lesão e nem sequer estava na ficha de jogo) e ainda Luis Díaz, entrando Marchesín, Manafá e Uribe. Com Sérgio Oliveira, Uribe e Baró no meio-campo, Corona juntava-se ao trio e subia para a linha intermédia, ficando então Manafá a ocupar a direita da defesa que tem sido do mexicano.

O FC Porto entrou melhor, com mais bola e com as linhas mais subidas: Corona e Baró aproveitavam a estabilidade oferecida por Sérgio Oliveira e Uribe junto aos centrais para terem mais mobilidade e avançarem no terreno, aproximando-se de Soares e Marega para levar jogo para a frente de ataque. Nas alas, Manafá e Alex Telles apresentaram-se muito subidos, a procurar tirar cruzamentos para a grande área, mas a resposta dos dois elementos da frente era parca. Com o passar do tempo, o FC Porto foi perdendo intensidade — em três remates, nenhum tinha sido enquadrado — e inspiração, permitindo também uma maior confiança ao Gil Vicente que levou à subida das linhas da equipa de Barcelos.

Por volta da meia hora, sem verdadeiras oportunidades de golo para lá de um remate de Romário Baró que passou por cima (31′), o FC Porto estava estático e sem soluções. Os jogadores ficavam várias vezes parados, sem procurar desmarcações ou transições, e o ritmo do jogo caía porque também a dinâmica da equipa de Sérgio Conceição havia caído. O Gil Vicente cresceu na partida e soube aproveitar a falta de intensidade adversária para explorar a profundidade nas alas — principalmente quando Manafá ou Alex Telles estavam muito subidos e sem apoios: Sandro Lima teve a primeira grande ocasião de golo do jogo, quando ficou na cara de Marchesín depois de um passe longo, mas o guarda-redes segurou o nulo (37′). Logo em seguida, Romário Baró ofereceu o golo a Marega mas o avançado maliano, à saída de Denis, desviou com demasiada força e desperdiçou um grande passe do jovem médio (38′).

Dentro dos últimos cinco minutos da primeira parte, quando já ambas as equipas pensavam no intervalo e tentavam tirar ilações de 45 minutos para lá de pobres, o Gil Vicente acabou por inaugurar o marcador num lance onde ficou clara toda a passividade do FC Porto. Lourency apareceu em transição rápida na direita do ataque, jogou com Fernando Fonseca e o lateral cruzou para o coração da grande área, onde Sandro Lima, completamente sozinho e sem marcação, cabeceou para bater Marchesín (que não ficou muito bem na fotografia). A desvantagem dos dragões, porém, pouco ou nada durou: depois de um cruzamento de Uribe tombado na direita, Marcano antecipou-se à defesa do Gil Vicente e cabeceou certeiro para levar tudo empatado para o intervalo (45+2′).

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do FC Porto-Gil Vicente:]

No final da primeira parte, FC Porto e Gil Vicente iam para o balneário com dois golos na bagagem que em nada espelhavam o que se tinha passado ao longo de 45 minutos. Na segunda parte, e quando se esperava que fosse Sérgio Conceição a mexer primeiro na equipa — até porque Luis Díaz ficou a aquecer durante o intervalo –, acabou por ser Vítor Oliveira (que estava castigado e assistiu ao jogo na bancada) a fazer a primeira alteração, lançando o veloz Romário no lugar de Arthur Henrique. Romário era uma clara aposta na velocidade e na profundidade na ala esquerda do ataque gilista, onde Wilson Manafá estava a ter muitas dificuldades a compensar as subidas no terreno com as tarefas defensivas.

O FC Porto voltou a entrar melhor na segunda parte, empurrando o Gil Vicente para o próprio meio-campo e colocando a primeira linha de construção na zona intermédia do relvado, apostando novamente na profundidade dos laterais. Romário Baró continuava a ser um dos melhores elementos dos dragões mas era Sérgio Oliveira, enquanto balança do meio-campo que tentava aproximar a defesa da equipa dos dois homens mais adiantados, que assumia as despesas do jogo e se tornava uma espécie de faz-tudo, entre apoiar nos corredores, jogar nas costas de Soares e Marega e ainda balançar as transições ao lado de Uribe.

A recompensa do médio acabou por chegar ainda antes da hora de jogo — e precisamente oferecida por Romário Baró. O jovem médio entregou a Sérgio Oliveira à entrada da grande área, tombados na esquerda, e o jogador da formação azul e branca tirou um remate em jeito para o poste mais distante que não deu qualquer hipótese ao guarda-redes Denis (57′). Mais de 18 meses depois, Sérgio Oliveira voltou aos golos para a Primeira Liga e colocou o FC Porto a vencer pela primeira vez no jogo. Em vantagem, Sérgio Conceição reagiu com a entrada de Vítor Ferreira — que se estreou em jogos do Campeonato — e a saída de Manafá, recuando Corona para a direita da defesa.

Compreensivelmente e expectavelmente, o FC Porto recuou no relvado depois de chegar ao segundo golo e à reviravolta e permitiu um relativo ascendente do Gil Vicente — que chegou a ficar perto do empate, num lance em que Lourency rematou por cima ao segundo poste depois de um bom cruzamento (71′). A tímida reação gilista, porém, esgotou-se com a expulsão de João Afonso, que viu o segundo cartão amarelo e deixou a equipa reduzida a dez unidades no último quarto de hora. Sérgio Conceição ainda lançou Luis Díaz e Fábio Silva, Vítor Oliveira retirou Kraev e Lourency para equilibrar a equipa e não sofrer mais golos, Romário Baró teve tudo para acabar com o jogo mas falhou a bola e o resultado não voltou a alterar-se.

Num jogo de profunda desinspiração por parte do FC Porto, Marega jogou 80 minutos sem fazer qualquer remate, Soares não teve qualquer lance de perigo e Corona esteve sempre demasiado discreto. Foram os três homens de combate do meio-campo — Sérgio Oliveira, Uribe e Romário Baró — que pegaram na equipa e garantiram um fulcral regresso às vitórias por parte dos dragões, que continuam a estar a sete pontos do Benfica. Baró não compromete e é o perfeito equilíbrio entre defesa e ataque e Uribe não vira a cara à luta e demonstra uma intensidade acima da dos restantes: mas é Sérgio Oliveira, enquanto líder informal, que acaba por ter uma importância capital no grupo. Na semana em que Sérgio Conceição quase abandonou o barco, Sérgio Oliveira pegou no leme e evitou o naufrágio.

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