O exército israelita anunciou esta quarta-feira um reforço militar na Cisjordânia ocupada e perto da Faixa de Gaza com “tropas de combate”, um dia depois do anúncio do plano dos Estados Unidos para resolver o conflito israelo-palestiniano.

“Após uma avaliação da situação, foi decidido fortalecer as nossas unidades na Judeia e Samaria [designação dada à Cisjordânia pelas autoridades israelitas] e em Gaza com tropas de combate suplementares”, informou o exército israelita num comunicado, sem fornecer mais pormenores.

Esta decisão surge depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter apresentado na terça-feira na Casa Branca, em Washington, ao lado do primeiro-ministro israelita em funções, Benjamin Netanyahu, a sua “visão” de um plano de paz entre israelitas e palestinianos.

Segundo Trump, o plano norte-americano é uma “solução realista de dois Estados” que mantém Jerusalém como “a capital indivisível de Israel” e que permite alargar a soberania do Estado hebreu ao Vale do Jordão e a colonatos na Cisjordânia ocupada.

Ainda na terça-feira, algumas horas depois da cerimónia em Washington, o exército israelita já tinha anunciado reforços de infantaria no Vale do Jordão, uma área estratégica que corresponde a cerca de 30% da Cisjordânia ocupada.

Benjamin Netanyahu, que classificou o anúncio de terça-feira como “um dia histórico”, congratulou-se e considerou “excecional” o plano de paz norte-americano.

A Autoridade Palestiniana e o Hamas (movimento radical palestiniano que governa o enclave de Gaza) rejeitaram com veemência o plano norte-americano, que também suscitou as críticas e os alertas de vários atores regionais e internacionais como a Liga Árabe, Jordânia e a Turquia.

A União Europeia vê o plano como uma ocasião para “relançar os esforços urgentemente necessários para uma solução negociada e viável para o conflito israelo-palestiniano” e Moscovo considerou que israelitas e palestinianos devem negociar diretamente.

Manifestações contra o plano norte-americano ocorreram esta quarta-feira em várias localidades na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, segundo repórteres da agência noticiosa France Presse (AFP) destacados no local.

As forças israelitas não têm soldados destacados na Faixa de Gaza, mas sim em redor deste território onde vivem cerca de dois milhões de palestinianos sob um bloqueio israelita.