Cerca de 670.000 crianças foram obrigadas a abandonar os seus lugares nas escolas em três países do Sahel — Níger, Mali e Burkina Faso — desde o início de 2019 devido ao aumento dos ataques terroristas, segundo a Unicef.

O organismo das Nações Unidas dedicado à infância explicou em comunicado que a violência sofrida pelos menores aumentou sobretudo desde o passado mês de julho e inclui ataques, sequestros e recrutamento por parte de grupos armados.

A nota acrescenta que os serviços de educação continuam a sofrer as consequências da escalada das hostilidades e que 3.300 escolas nesses três países africanos estavam fechadas ou não operacionais, com 16.000 professores afetados.

“As crianças estão a ser assassinadas, mutiladas e abusadas sexualmente e centenas de milhares tiveram experiências traumáticas”, especificou no comunicado a diretora regional da Unicef para a África Ocidental e Central, Marie-Pierre Poirier.

E revelou que o acesso à água potável nestes três países é cada vez mais difícil. No Burkina Faso foi reduzido a 10% entre 2018 e 2019 nas zonas onde os deslocados internos representam mais de um quinto da população.

Ainda assim, a informação sublinha que só na zona central do Sahel, mais de 709.000 crianças menores de cinco anos sofreram desnutrição aguda grave e necessitam de tratamentos para sobreviver.

O aumento da violência contra os menores nesta parte do Sahel nos últimos seis meses provocará, segundo a Unicef, que perto de cinco milhões de crianças precisem de assistência humanitária durante este ano.

Perante esta situação, o apelo de ajuda humanitária em 2020 para este organismo da ONU para os países do Sahel Central ascende a 208 milhões de dólares.