A Infraestruturas de Portugal (IP) garantiu esta quinta-feira que “já não aplica há cerca de 15 anos” soluções em armco, material descrito por especialistas como “em fim de vida útil”, pelo que pode constituir “risco de colapsos de estradas”.

Numa resposta escrita enviada à agência Lusa, a IP indicou que “as estruturas tubulares metálicas de aço corrugado, vulgarmente designadas por armco eram anteriormente utilizadas existindo ainda algumas”, mas garantiu que já não as aplica “há cerca de 15 anos”.

Existem ainda algumas, uma percentagem muito reduzida, inferior a 2% do total de obras de arte [pontes, passagens hidráulicas, etc.], integra a rede rodoviária nacional sob gestão direta da Infraestruturas de Portugal”, referiu a empresa pública.

Na segunda-feira a agência Lusa publicou uma peça com base na opinião de um engenheiro civil e especialista e reabilitação urbana sobre aluimentos recentes de estradas e o material associado a essas infraestruturas.

Temos estradas espalhadas pelo país com passagens hidráulicas feitas em ‘armco’ [chapas metálicas usadas há cerca de 20/30 anos] e que podem começar a colapsar quando há chuvas, quando há estradas com mais tráfego. É urgente que todas as entidades despertem para o risco real de segurança que esta solução antiga representa”, disse, à Lusa, o coordenador do Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros – Região Norte, Bento Aires.

Entretanto, em resposta à agência Lusa, a IP garantiu que “por apresentarem uma durabilidade inferior a outras soluções estruturais que são normalmente fabricadas em betão, particularmente quando utilizadas em travessias com escoamentos significativos, já não aplica soluções deste tipo na sua rede há cerca de 15 anos”. A Infraestruturas de Portugal sublinhou, ainda, que as estruturas da sua rede são “inventariadas” através da aplicação SGOA – Sistema de Gestão de Obras de Arte, sendo “visualizadas” no SIG – Sistema de Informação Geográfica.

O SGOA incorpora um vasto conjunto de informação recolhida através das atividades periódicas de inspeção, permitindo a deteção antecipada das necessidades de intervenção e a atempada resposta no reforço e reabilitação das obras de arte. Este conhecimento detalhado do estado de conservação destas estruturas aliado à execução de intervenções de manutenção periódica e de trabalhos de reparação frequentes, permite obter um adequado nível de segurança das estruturas, onde se incluem naturalmente as tipo ‘armco’”, descreveu a empresa.

A agência Lusa também contactou a Ascendi a propósito deste tema, tendo a concessionária referido que “no que concerne à monitorização e manutenção de passagens hidráulicas”, realiza um programa de monitorização “regular de todos os elementos que compõem a sua infraestrutura”. “Dessa monitorização resulta uma avaliação do estado de conservação de cada um dos elementos, na sequência da qual são identificadas e programadas as eventuais intervenções de manutenção necessárias de forma a garantir a segurança e conforto dos utentes”, refere a resposta da concessionária à Lusa.

A Ascendi confirmou a existência de passagens hidráulicas na sua rede com a solução identificada ‘armco’, lembrando que esta solução “foi amplamente utilizada em Portugal durante um determinado período”, mas garantiu que “relativamente a essas estruturas procedeu e continua a proceder aos trabalhos de conservação tecnicamente recomendados de acordo com os resultados das inspeções regulares efetuadas”.

No domingo, dia 19 de janeiro, a antiga Estrada Nacional 13 (EN13), concelho da Maia, aluiu sem causar vítimas estando atualmente cortada ao trânsito nos dois sentidos, previsivelmente durante um mês para reparação, conforme indicou quarta-feira a câmara local. Uma situação semelhante à que ocorreu em fevereiro de 2016 na própria autoestrada 41 (A41), em Alfena, concelho de Valongo, altura em que o piso também sofreu um abatimento que só ficou resolvido em maio seguinte.

Convidado a comentar estas situações, o coordenador do Colégio de Engenharia Civil da Ordem dos Engenheiros – Região Norte disse à Lusa que “Maia ou Alfena, ou o Norte do país, não são casos únicos”, alertando que os aluimentos “podem repetir-se” porque, explicou, “em Portugal foi frequente há 20/30 anos fazer tubagens de passagens hidráulicas em armco, uma solução que está a chegar ao fim da sua vida útil”. “Na prática são chapas que estão a sofrer fenómenos de corrosão, que estão danificadas. O próprio solo, quando a chapa começa a ficar comprometida, começa a ceder, o que leva ao colapso“, disse o especialista.