O papel dos arquivos audiovisuais enquanto lugares de memória do mundo contemporâneo vai estar em debate, no final de fevereiro, em Fátima, nas II Jornadas de Arquivo do Santuário de Fátima.

“Os arquivos audiovisuais e o conhecimento dos fenómenos históricos contemporâneos” é o tema genérico destas jornadas, que pretendem, também, fornecer a oportunidade de estudar o espólio do Santuário de Fátima “e a vida dos seus peregrinos a partir de fontes menos usuais”.

Segundo informação do Santuário, o seu Núcleo Audiovisual conta com cerca de 330 mil fotografias, 90 mil das quais analógicas (negativos em vidro, negativos em película e simples provas fotográficas), datando a foto mais antiga de 13 de julho de 1917. Quanto a vídeos e áudio, o Santuário tem “um pré-inventário com 2.300 registos”, estando os 44 mais antigos depositados na Cinemateca.

André Melícias, coordenador do Serviço de Arquivo e Biblioteca do Santuário de Fátima, considerou que “Fátima, enquanto fenómeno religioso contemporâneo, tem utilizado os avanços da técnica para a sua comunicação, produzindo documentação em distintos suportes e formatos, da fotografia ao vídeo, do streaming ao podcast”, acrescentando que “este tipo de documentação, com características e necessidades muito específicas para a sua preservação e utilização constitui um desafio aos profissionais das Ciências da Documentação e da Informação e um manancial importante para os Investigadores”.

Para este responsável, em declarações à Sala de Imprensa do Santuário de Fátima, existe, no entanto, uma “consciência de que esta não é uma realidade exclusiva ao Santuário de Fátima ou mesmo às instituições religiosas, facto que acentua a importância da consciencialização da relevância destes materiais e da sua preservação para memória futura”.

As II Jornadas de Arquivo do Santuário de Fátima realizam-se no dia 29 de fevereiro, no Centro Pastoral Paulo VI, estando previsto o visionamento comentado de documentação inédita do Núcleo Audiovisual.