O BPI registou lucros de 327,9 milhões de euros em 2019, um resultado inferior em 33% aos 490,6 milhões de euros registados em 2018, divulgou esta segunda-feira o banco. Destes 327,9 milhões, 230 resultam da atividade em Portugal, indicou o banco num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“O contributo do BFA [Banco de Fomento Angola] para o lucro consolidado de 2019 ascendeu a 78,9 milhões de euros (+8% yoy [year on year, comparação com o período homólogo]) e o BCI, em Moçambique, contribuiu com 18,7 milhões de euros (-11% yoy) em 2019″, assinala o banco detido pelo espanhol CaixaBank.

Na apresentação enviada à CMVM, o banco a liderado por Pablo Forero assinala também que – na comparação com 2018 – impactam operações não recorrentes registadas nesse ano em Portugal, nomeadamente “ganhos de 193,1 milhões de euros com a venda de subsidiárias e a participação na Viacer”, que não tiveram idêntica correspondência em 2019. O banco salienta também que “vendeu 221 milhões de euros de créditos não produtivos e ativos imobiliários no quarto trimestre [de 2019], com um impacto positivo de 24 milhões de euros no resultado antes de impostos”.

O BPI adianta ainda que pretende distribuir dividendos de 117 milhões de euros ao seu único acionista, o banco espanhol CaixaBank, o que corresponde a 36% do total do seu resultado líquido anual.

No ano passado, o lucro recorrente do banco em Portugal cresceu 13 milhões de euros face a 2018, “suportado pela melhoria no produto bancário comercial e pelo impacto positivo da nova produção de crédito à habitação e para empresas”, de acordo com o banco. Os depósitos de clientes aumentaram 7,6% de 2018 para 2019, atingindo os 1.599 milhões de euros, tendo os seguros de capitalização aumentado 10,8%, correspondentes a 445 milhões de euros em 2019 face ao ano anterior.

O BPI assinala também o aumento da carteira de crédito total em 4,4% em 2019 relativamente a 2018, com a quota de mercado a atingir os 10,2% até outubro de 2019.

Do total do crédito, o concedido a empresas subiu 433 milhões de euros em 2019 face a 2018 (aumento de 4,7%), e o hipotecário cresceu 13% para 1.453 milhões de euros em 2019 face ao ano anterior.

Estes resultados impactaram na margem financeira (diferença entre juros pagos nos depósitos e cobrados no crédito), que subiu 3,2% em 2019 comparativamente a 2018, atingindo os 463,3 milhões de euros.

A receita com comissões diminuiu 7,2%, passando de 277,8 milhões de euros em 2018 para 257,9 milhões em 2019, mas o banco assinala que “excluindo o efeito decorrente da venda dos negócios de cartões, ‘acquiring’ [processamento de pagamentos de cartões de crédito ou débito] e banca de investimento em 2018, as comissões aumentam (perímetro comparável) em 14 milhões de euros”, correspondentes a 5,7%.

O rácio de exposição a malparado diminuiu um ponto percentual em 2019, tendo-se situado em 2,5% em dezembro de 2019. Já em termos de rácios de capital, o banco liderado por Pablo Forero apresentou, no final de 2019, um rácio CET1 (‘common equity tier 1’) de 13,4%, um Tier 1 de 14,9% e um total de 16,6%.

O BPI salienta ainda o aumento de 7%, em termos homólogos, de clientes na banca digital em 2019.