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Era uma vez na Luz, um filme de Gabriel Pitt e Rafa DiCaprio (a crónica do Benfica-Famalicão)

Em semana de Oscares, Benfica e Famalicão protagonizaram um autêntico filme de Hollywood na Luz. Rafa e Gabriel acabaram por fazer a diferença e os encarnados saem em vantagem para a segunda mão.

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O avançado português entrou na segunda parte para empatar o jogo

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O avançado português entrou na segunda parte para empatar o jogo

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Foi a nódoa no pano quase impecavelmente branco que Bruno Lage tricotou ao longo da segunda metade da temporada passada. O Benfica foi campeão nacional depois de ter estado a sete pontos de distância da liderança, o Benfica só caiu na Liga Europa nos quartos de final contra um poderoso Eintracht Frankfurt, o Benfica só falhou na Taça de Portugal. Exceção feita à Taça da Liga, que nunca foi um objetivo prioritário na campanha encarnada, a equipa da Luz só tirou o pé do acelerador contra o Sporting, desperdiçando em Alvalade uma vantagem conquistada em casa na primeira mão.

Esta temporada, a trabalhar com a equipa desde a primeira hora, a construir o plantel quase de raiz, a hierarquizar os objetivos desde o início, Bruno Lage colocou a conquista da Taça de Portugal logo a seguir à reconquista da Primeira Liga. Afinal, o segundo título nacional escapa aos encarnados há três anos, período temporal em que também não conseguiram regressar a uma final do Jamor. As contas são simples: com sete pontos de avanço em relação ao FC Porto, no cenário de uma presença garantida na final da Taça de Portugal, ainda em competição na Liga Europa, o Benfica olhava para os meses que restam até maio como uma janela recheada de metas e ambições.

Ficha de jogo

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Benfica-Famalicão, 3-2

Primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Jardel (Ferro, 45′), Rúben Dias, Grimaldo, Pizzi, Gabriel, Taarabt, Cervi (Rafa, 67′), Chiquinho (Carlos Vinícius, 67′), Seferovic

Suplentes não utilizados: Zlobin, Florentino, Jota, Tomás Tavares

Treinador: Bruno Lage

Famalicão: Vaná, Ivo Pinto, Riccieli, Patrick William, Racine Coly, Pedro Gonçalves (Roderick, 86′), Gustavo Assunção, Uros Racic, Diogo Gonçalves, Toni Martínez (Anderson, 77′), Fábio Martins (Rúben Lameiras, 82′)

Suplentes não utilizados: Rafael Defendi, Guga, Ofori, Alex Centelles

Treinador: João Pedro Sousa

Golos: Pizzi (53′), Pedro Gonçalves (60′), Toni Martínez (73′), Rafa (78′), Gabriel (90+5′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Gustavo Assunção (13′), a Grimaldo (43′), a Fábio Martins (64′), a Rúben Dias (90+1′)

O Benfica na melhor fase da temporada encontrava então o Famalicão na pior fase da temporada. A equipa de Bruno Lage ganha há seis jogos seguidos, a de João Pedro Sousa não vence há três consecutivos: primeiro e quinto classificados da Primeira Liga encontravam-se na Luz na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, entre um finalista crónico que anda afastado do Jamor e uma inevitável surpresa com vontade de tornar uma época ótima numa época histórica. Para receber o Famalicão, Lage fazia quatro alterações ao onze inicial que na passada sexta-feira venceu o Belenenses SAD — entravam Jardel, Gabriel, Chiquinho e Seferovic, saíam Ferro, Weigl, Rafa e Vinícius. O médio alemão era mesmo o único que forçava uma substituição obrigatória, por estar com uma infeção respiratória, e Dyego Sousa, o reforço que chegou no último dia do mercado de inverno, ainda não fazia parte da convocatória. Em oposição, o treinador encarnado surpreendia e não poupava Vlachodimos, que fazia a estreia absoluta na Taça.

Na antecâmara da visita ao Dragão para enfrentar o FC Porto, num jogo que pode acabar por ser decisivo nas contas do título, o Benfica entrou melhor e conseguiu estagnar a saída de bola do Famalicão: na linha técnica, Bruno Lage pedia à equipa que avançasse no terreno e a primeira fase de construção encarnada, composta pelos dois centrais mas também por Gabriel, estava para lá da metade do meio-campo defensivo. O Famalicão não tinha espaço nem tempo para pensar o jogo e desenvolver os lances, face à alta pressão do Benfica, mas a verdade é que os encarnados também não conseguiam encontrar o melhor critério e a melhor definição para as jogadas que construíam. Grimaldo acabou por ser o primeiro a romper a defesa adversária, com um passe que isolou Seferovic (7′), e Chiquinho atirou por cima depois de uma boa mudança de flanco orientada por Pizzi (10′), mas a equipa de Bruno Lage tinha dificuldades em retirar frutos da superior posse de bola que ia registando.

Com o avançar dos minutos no relógio, a pressão alta encarnada foi-se esfumando e os setores da equipa recuaram e espaçaram-se, o que abriu a porta à subida no terreno do Famalicão. Progressivamente, e apesar dos erros defensivos que pareciam revelar algum nervosismo, o conjunto de João Pedro Sousa foi crescendo na partida e chegou mesmo à melhor oportunidade do jogo: Diogo Gonçalves apareceu na profundidade, cruzou rasteiro a partir da direita e Pedro Gonçalves, ao segundo poste e totalmente sozinho, atirou ao lado (17′). Esta jogada acabava por ser o protótipo daquilo que o Famalicão ia tentando fazer na Luz — explorar as costas dos laterais, com especial preponderância na esquerda da defesa encarnada face às subidas recorrentes de Grimaldo, e apanhar desprevenidos os dois centrais. Na faixa central, era Fábio Martins quem tentava desequilibrar, com passes verticais e uma largura oferecida ao jogo que tornava difícil o trabalho de Gabriel e Taarabt.

Na direção oposta, o Benfica estava tombado para o corredor direito, onde caía Pizzi, mas foi encontrando cada vez mais dificuldades em entrar no último terço adversário. A falta de definição ofensiva aliava-se aos erros defensivos, onde Rúben Dias e Jardel somavam perdas de bola em zonas tidas como proibidas. Até ao intervalo, Pizzi ainda serviu Seferovic mas o avançado suíço chegou atrasado (28′) e acabou por ser o Famalicão a criar maior fluxo ofensivo, com remates tanto de Diogo Gonçalves como de Pedro Gonçalves e ainda um golo anulado a Toni Martínez por posição irregular (29′). No final da primeira parte, de onde a equipa de João Pedro Sousa saiu com notório ascendente e maior pragmatismo, o maior espelho dos problemas encarnados na criação de oportunidades eram os números de Seferovic: o avançado foi para o balneário com um remate, com apenas metade dos passes efetuados, sem passes para finalização e com três foras de jogo.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Benfica-Famalicão:]

Ferro passou o intervalo a aquecer e acabou por entrar no início da segunda parte para o lugar de Jardel, ficando a dúvida sobre se o central brasileiro sofreu algum problema físico ou se a opção foi simplesmente técnica. O Benfica voltou a entrar por cima, com vontade de controlar os desígnios do jogo e de chegar depressa à grande área adversária. Quando ainda não estavam cumpridos dez minutos do segundo tempo, os encarnados conseguiram chegar à vantagem através de uma grande penalidade convertida por Pizzi (53′): Seferovic recebeu a bola na profundidade, tentou cruzar mas a bola foi desviada pela mão de Riccieli e Hugo Miguel não teve dúvidas.

Depois do golo, com uma renovada confiança e assente numa bela exibição de Taarabt, o Benfica até podia ter chegado ao segundo, novamente por intermédio de Pizzi, mas Vaná parou o remate do capitão encarnado (58′). A equipa de Bruno Lage estava com um claro ascendente mas continuava algo instável na hora de tomar decisões, revelando ainda uma certa passividade no momento de defender as investidas adversárias. O Famalicão acabou por aproveitar essa pressão algo macia para empatar: Pedro Gonçalves recebeu na zona do meio-campo, avançou sem oposição durante largos metros, tirou dois adversários da frente, tabelou com Diogo Gonçalves e acabou por rematar já no interior da grande área (60′). À hora de jogo, o Famalicão empatava o jogo e colocava-se em vantagem na eliminatória face ao golo marcado fora.

Bruno Lage reagiu com uma dupla substituição que esgotou as alterações, ao lançar Carlos Vinícius e Rafa para os lugares de Chiquinho e Cervi, mas acabou por ser o Famalicão a aproveitar mais uma perda de bola encarnada para chegar à vantagem na Luz. Grimaldo cruzou contra a defesa e o Famalicão lançou-se em contra-ataque rápido: Pedro Gonçalves, mais uma vez, conduziu pela faixa central e abriu na direita em Toni Martínez, que rematou na diagonal e fez o segundo da equipa de João Pedro Sousa (73′). A aposta de Lage, porém, revelou-se frutífera escassos minutos depois, quando Carlos Vinícius fez o remate que Vaná defendeu para a recarga de Rafa, que só precisou de encostar para repor a igualdade no marcador (78′).

O jogo ganhou em intensidade e perdeu em organização tática, partindo a espaços. O Benfica ficou vulnerável defensivamente, situação que o Famalicão tentou aproveitar com a entrada do veloz Rúben Lameiras e do equilíbrio de Roderick, mas a estrelinha da sorte que tem acompanhado os encarnados voltou a aparecer. Ao quinto minuto de descontos, Gabriel apareceu ao primeiro poste a desviar um canto batido na esquerda (90+5′) e garantiu a vitória do Benfica, que sai em vantagem para a segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal.

No final de um bom jogo de futebol, com a agressividade e a intensidade que por vezes escasseia na liga portuguesa, o Benfica acabou por sair vitorioso graças à eficácia de Rafa e Gabriel, que converteram as duas oportunidades de que beneficiaram. Em semana de Oscares, os dois jogadores foram os protagonistas de um autêntico filme de Hollywood que também teve participações especiais de Pedro Gonçalves e Gustavo Assunção, que mostraram porque é que em janeiro o Famalicão ainda está na luta pelos lugares de acesso às competições europeias.

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