Costuma-se dizer que os animais de estimação são bonitos é “gordinhos”. Mas, na verdade, não é de todo assim. Tal como acontece com os seus tutores, quando os patudos têm excesso de peso, a sua saúde é que sai a perder. O excesso de peso e obesidade são dos problemas de saúde mais frequentes nos gatos e cães que visitam o médico veterinário, sendo uma doença que afeta cerca de 1 em cada 2 animais de estimação. Alterar esta realidade é fundamental e zelar pela saúde (e peso) do seu companheiro de quatro patas é um ato de amor tão grande quanto os mimos que lhe dá sempre que está com ele. E o alimento certo pode ser um grande aliado na luta contra o excesso de peso do gato e do cão.

O que pode engordar o seu companheiro de 4 patas

Dar-lhe alimentos demasiado calóricos ou nutricionalmente desequilibrados ou não controlar as porções diárias (dando-lhe calorias em demasia) e permitir que se mexa pouco (isto é, não praticar exercício físico suficiente) são, sem dúvida, as principais causas para o desenvolvimento de excesso de peso e obesidade nos animais de estimação. Isto porque o gato ou cão não gasta de forma apropriada as calorias que ingeriu, resultando numa acumulação de gordura e ganho de peso. Contudo, pode haver outros “culpados” deste problema de saúde, como, por exemplo, alterações endócrinas, toma de certos medicamentos, genética e esterilização.

Quando há peso a mais… a atividade baixa e a saúde vê-se reduzida

Em muitos casos, é possível perceber que o seu animal de estimação pode estar com excesso de peso, mesmo antes de o pesar. Isto porque o peso a mais terá efeito nos seus comportamentos e rotinas. Por exemplo, nota que o seu gato deixou de conseguir saltar para os locais mais altos onde adorava estar? O seu cão perdeu a vontade de passear e correr ou brincar na rua? Deixou de lhe conseguir ver a cintura ou de sentir as costelas e nota aumento da zona da barriga? Tudo isto pode indicar que ele se encontra com excesso de peso — basta que esteja atento.

Se o excesso de peso ou obesidade for confirmado pelo médico veterinário, é importante que esteja ciente de que este é um problema que não vem só, aumentando o risco de muitas outras doenças que vão afetar o bem-estar e qualidade de vida do seu animal de estimação, e até a sua longevidade. Entre as patologias associadas mais frequentes encontram-se:

  • Diabetes mellitus — nos gatos obesos, este risco é até quatro vezes superior e nos cães 3,5;
  • Tendência para pancreatites e outros problemas inflamatórios;
  • Problemas respiratórios e cardíacos;
  • Doenças dermatológicas;
  • Problemas ósseos e articulares crónicos;
  • Problemas reprodutivos (por exemplo, baixa fertilidade e problemas no trabalho de parto);
  • Cálculos e outros problemas urinários;
  • Diminuição da capacidade de resposta do sistema imunitário;
  • Desequilíbrios metabólicos;
  • Aumento do risco de tumores da mama.

Além das comorbilidades, a obesidade tem um impacto negativo na esperança média de vida dos patudos, podendo ser sinónimo de uma perda de até 2,5 anos de vida nos cães, segundo revela um estudo da Universidade de Liverpool e do Centro WALTHAM para Nutrição Animal da Mars Petcare.

A solução é só uma: conseguir um peso saudável

Agora que já está a par do grande impacto negativo que o excesso de peso e obesidade podem ter na qualidade de vida dos gatos e cães, a boa notícia é que este problema de saúde é reversível, pois pode ser tratado. Quando os animais começam a perder peso, voltam a ter energia, vitalidade, bem-estar, saúde e a oportunidade de uma longevidade considerada normal para a sua raça. O médico veterinário vai ser o grande aliado do tutor e do animal de estimação nesta missão de perda e controlo do peso. Quanto aos tutores, cabe-lhes assegurar que o tratamento é seguido à risca.

Para manter o ponteiro da balança no sítio certo

Juntamente com o médico veterinário, os tutores devem escolher e controlar as porções de alimento mais adequado e promover um nível saudável de atividade física dos seus animais de estimação, adaptando-os às características do seu gato ou cão — como idade, peso, raça, estilo de vida, se é esterilizado ou não ou se tem ou não outros problemas de saúde. Ainda assim, apenas 1 em cada 5 tutores controla a quantidade de alimento que dá ao seu animal de estimação e muitos não passeiam ou brincam o tempo adequado com ele. Para zelar pelo peso saudável do seu companheiro de quatro patas, adote estas práticas:

  • Respeite as porções diárias recomendadas pelo médico veterinário;
  • Se o notar com fome com essas quantidades, reporte ao seu médico veterinário, para que ele lhe dê soluções eficazes para esse problema;
  • Quando lhe parece que ele está a pedir comida ou quando o quer recompensar de alguma forma, não lhe dê extras ou mais comida, mas prefira as festinhas, sessões de grooming (pentear, etc), passeios e brincadeiras;
  • Nunca lhe dê da sua própria comida, pois além de poder ser muito mais calórica, é também desequilibrada em termos nutricionais;
  • Deixe os snacks e extras para quando o estiver a treinar, sem nunca esquecer que estes nunca devem ultrapassar os 10% do aporte calórico diário. Idealmente, use mesmo uma porção da dieta habitual;
  • Pese o seu cão ou gato e leve-o para avaliação da sua condição corporal periodicamente;
  • Leve o seu cão a passear 2-3 vezes por dia durante o tempo recomendado pelo seu médico veterinário, adaptado às suas capacidades e limitações. Andar, correr e brincar também ajuda a queimar calorias e gastar energia, e as brincadeiras que estimulam o instinto de caça dos gatos também são uma ferramenta muito eficaz e divertida para eles e para si;
  • Jogue ao “busca” com o seu cão num espaço em que possa estar à solta (jardim, parque ou descampado). Não só ambos fazem exercício, como fortalecem a vossa relação;
  • Brinque com o seu gato para que se mantenha ativo e estimule o seu instinto caçador com brinquedos, como bolas pequenas ou canas com ratos de peluche ou corda pendurados;
  • Leve o seu animal de estimação ao médico veterinário pelo menos uma vez por ano, para que possa avaliar a sua condição corporal e saúde geral.

Se o excesso de peso já é uma realidade

A partir do momento em que o animal é diagnosticado com excesso de peso ou obesidade, é fundamental implementar um plano para a perda e controlo do peso. Este deve incluir uma dieta especialmente formulada para esse fim e adaptada às características do animal, devendo ser sempre acompanhada de um plano de exercício físico adequado. Estas dietas deverão promover a saciedade do gato e do cão, porque diminuem a vontade de comer, mas mantém o aporte nutricional e calórico necessário, ajudando-o a perder peso de forma saudável, progressiva e segura.

Não cometa este erro

Se o objetivo é que o seu gato ou cão perca peso, fique a saber que não deve simplesmente cortar na quantidade do alimento que lhe dá habitualmente. Ao fazer isso, estará também a reduzir os nutrientes que o animal ingere, podendo resultar num défice nutricional que pode colocar a saúde em risco, além de geralmente resultar num aumento da fome e comportamento de solicitação incessante de alimento, tão difícil de gerir. O mais indicado é mesmo optar por uma dieta específica de emagrecimento, equilibrada em termos globais e mais saciante.