“Não me cortem as mãos”, implorava Inês Largatinho. A jovem de 24 anos que tem paralisia cerebral e está a perder a funcionalidade das mãos, tem receio de não conseguir terminar a licenciatura em Estudos Portugueses por falta do medicamento que lhe permite ter o mínimo de autonomia. O Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian, onde Inês e outros jovens com o mesmo problema são seguidos, não tem o medicamento necessário, denunciou a mãe da jovem de 24 anos, ao Jornal de Notícias. E como ela, outros doentes têm tido o mesmo problema, adiantou Helena Lagartinho.

Mas, contactada pelo Observador, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que gere este Centro de Reabilitação, informou que vai receber esta quarta-feira as primeiras unidades de toxinas botulímicas, usadas no tratamento da paralisia cerebral.

“Nunca esteve em risco o bem-estar das crianças e jovens que recebem este tratamento no Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian, os quais têm sido devidamente acompanhados pelo corpo clínico da instituição”, respondeu ao Observador, por email, a Santa Casa da Misericórdia.

Segundo o Jornal de Notícias, a médica que segue Inês terá feito uma solicitação do medicamento em julho, mas os concursos atrasaram-se e só abriram em dezembro e janeiro.  Na lista de espera para obter as unidades de toxinas botulímicas há doentes entre os dois e os 23 anos. Há “meninos a chorar cheios de dores por falta de toxinas”, referiu Helena Largatinho ao diário. A alternativa que se apresenta é recorrer aos hospitais privados, mas o avultado valor de 300 euros da injeção, torna essa hipótese inacessível para muitos.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa garantiu ao Observador que apesar do atraso nos processos de aquisição das toxinas botulímicas, atendendo às “exigências do Código dos Contratos Públicos e ao qual a Santa Casa está obrigada”, são entregues esta quarta-feira “várias unidades do referido medicamento, que serão reencaminhadas para as situações prioritárias”, acrescentou ainda a mesma fonte ao Observador.