Umaro Sissoco Embaló, dado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) como o vencedor das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, disse esta quinta-feira que vai tomar posse no próximo dia 27, com ou sem o consentimento do parlamento do país.

No aeroporto de Bissau, de regresso ao país, após vários dias de um périplo pelo estrangeiro, Umaro Sissoco Embaló avisou o líder do parlamento, Cipriano Cassamá, que se não quiser presidir à cerimónia da sua posse, o ato será feito pelo vice-presidente do órgão, Nuno Nabian.

Se o presidente da Assembleia Nacional Popular (parlamento guineense), Cipriano Cassamá, com todo o respeito que me merece, não quiser presidir à minha posse, vou organizar Nuno Nabian, Satu Camará e deputados para me darem posse em qualquer parte da Guiné-Bissau”, disse Sissoco Embaló, em declarações em crioulo.

Embaló garantiu que a cerimonia terá lugar em Bissau e deixou um recado aos juízes do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), onde decorre um contencioso eleitoral, devido ao recurso interposto por Domingos Simões Pereira, que alega fraude na segunda volta das eleições presidenciais de 29 de dezembro.

“Toda a gente sabe que Umaro Sissoco Embaló é o novo Presidente da Guiné-Bissau. O Supremo pode decidir o que quiser, mas penso que há uns quantos que não vão estar aqui na hora de dividir o dinheiro que receberam”, afirmou Umaro Sissoco Embaló, referindo-se aos juízes daquela instância judicial.

O político prometeu exibir gravações em áudio para provar a sua acusação e reafirmou a sua determinação em ser o Presidente efetivo a partir de dia 27. “Depois disso, a Guiné-Bissau, de uma vez por todas, terá um único chefe”, sublinhou Embaló, frisando que “às vezes é preciso fazer a guerra para ter a paz”.

“Quem não sabe que ganhei as eleições. Que vão para o Supremo Tribunal se quiserem, que vão mesmo para Haia”, vincou Sissoco Embaló, deixando uma exortação aos militares, no sentido de terem em conta que a partir de agora é quem manda, na qualidade de comandante supremo das Forças Armadas.

Sissoco Embaló disse ter estado em 15 países, em visitas de praxe, e afirmou que “ninguém compreende o teatro que se passa” na Guiné-Bissau.

A CNE deu a vitória ao candidato apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem G-15), Umaro Sissoco Embaló, com 53,55% de votos, tendo Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), obtido 46,45% dos votos, o que motivou um recurso ao STJ.

Na quarta-feira, a equipa jurídica de Simões Pereira entrou com um recurso no Supremo pedindo a anulação das eleições, alegando irregularidades no processo e fraude. O Supremo ainda não se pronunciou sobre o pedido.