O Metropolitano de Lisboa já despendeu cinco milhões de euros, com estudos e projetos, no âmbito do processo de expansão que inclui a linha circular.

No âmbito deste processo de expansão, o Metropolitano de Lisboa já incorreu em despesas com estudos e projetos que ascendem a cinco milhões de euros”, pode ler-se numa resposta do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, que tutela os transportes urbanos, enviada à Lusa esta sexta-feira.

Questionado sobre o valor das expropriações já feitas, tendo em conta as declarações do ministro Matos Fernandes aquando da conferência de imprensa sobre a suspensão do projeto, o Metropolitano de Lisboa “estima um montante de nove milhões de euros para a globalidade das expropriações, devido aos terrenos afetados pelo traçado entre o Rato e o Cais do Sodré”.  Ainda assim, de acordo com o ministério, a transportadora “tem vindo a negociar com os vários proprietários”, públicos e privados, sem nunca ter recorrido à via judicial.

Governo: É irresponsável suspensão da linha circular do Metro de Lisboa

Na passada terça-feira, durante a votação do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), no parlamento, foi votada a suspensão da construção da linha circular do Metropolitano de Lisboa, ao serem aprovadas duas propostas do PCP e do PAN que defendiam esse objetivo.

Em conferência de imprensa, também na terça-feira, o ministro do Ambiente considerou “irresponsável” a suspensão do projeto, alertando para a perda de 83 milhões de euros de fundos comunitários destinados a esta obra, e à impossibilidade de fazer qualquer obra essencial para a capital nos próximos três anos.

Trata-se de uma decisão irresponsável que lesa a cidade de Lisboa e toda a área metropolitana”, disse João Matos Fernandes.

Além de se perderem os fundos comunitários, o ministro do Ambiente e da Ação Climática avisou que se “corre o risco” de serem pagas indemnizações quer aos empreiteiros que já apresentaram propostas aos concursos realizados, quer a quem foi expropriado.

Existe o risco de ter de pagar aos empreiteiros, da mesma forma que existe o risco relativamente às expropriações que já foram feitas e ter de devolver os terrenos às pessoas e entidades com prémio indemnizatório”, explicou ainda, reconhecendo que tal risco “poderá ser sindicado em tribunais”.

A proposta do PCP, que defende que seja dada prioridade à extensão da rede metropolitana até Loures, bem como para Alcântara e zona ocidental de Lisboa, foi aprovada com votos a favor do PSD, BE, PCP, CDS, PAN e Chega, a abstenção da Iniciativa Liberal e o voto contra do PS.

Já a do PAN, que propõe que o Governo realize um estudo técnico e de viabilidade económica face à extensão até Alcântara e a linha circular, obteve os votos favoráveis do PSD, BE, PCP e Chega, os votos contra do PS e da Iniciativa Liberal e a abstenção do CDS.

O projeto que se prevê que arranque no segundo semestre de 2020, pretende criar “um anel envolvente da zona central da cidade”, com a abertura de duas novas estações: Estrela e Santos”. O objetivo é ligar o Rato ao Cais do Sodré, obtendo-se assim uma linha circular a partir do Campo Grande com as linhas Verde e Amarela. As restantes linhas passam a funcionar como radiais – linha Amarela de Odivelas a Telheiras, linha Azul da Reboleira – Santa Apolónia, e linha Vermelha de S. Sebastião – Aeroporto.