Uma coisa leva à outra, quem conta um conto acrescenta um ponto e de repente, num cenário muito remoto tendo em conta constrangimentos como os limites do fair play financeiro, já se colocava a hipótese de Ronaldo poder  jogar na mesma equipa de Messi. Expliquemos: de Espanha chegaram ecos de descontentamento do argentino, cansado de ser sempre o nome falado quando algo de mal se passa; de Itália veio aquilo que é apelidado de “cláusula de escape” que lhe permite sair no verão tendo apenas de anunciar essa intenção um mês antes. Entre os principais clubes interessados, como Manchester City ou Manchester United, a Juventus. Algum presidente ou treinador não gostaria desse plano aparentemente impossível de juntar ambos? Não. Ou melhor, um.

“Há muitos nomes que estamos a analisar. Cristiano Ronaldo? É demasiado velho para nós”, comentou num ato oficial com sócios o presidente do Bayern, Herbert Hainer, a propósito dos reforços desejados pelos bávaros para a próxima temporada (e que terá o extremo Leroy Sané no topo das prioridades). Mais do que os 997 jogos, 722 golos, 29 títulos, cinco Bolas de Ouro e quatro Botas de Ouro aos 35 anos, sobram os objetivos mais do que concretizáveis para atingir daqui para a frente como o recorde de golos por uma seleção que pertence a Ali Daei, a Champions pelo terceiro clube diferente que só Seedorf conseguiu, o recorde de presenças e golos em fases finais do Europeu, a sexta Bola de Ouro ou até mesmo o número de golos de Pelé em encontros oficiais. Aí sim entronca a grande diferença que coloca o português de novo num patamar à parte dos outros.

No dia em que festejou o 35.º aniversário, na passada quarta-feira, Ronaldo teve à noite uma festa com a presença surpresa de alguns dos amigos mais próximos além da família. Antes, em mais um treino, trabalhou como se fosse um miúdo que alguns números ainda mostram, a fazer sprints e inversões que cansavam só de ver. O capitão da Seleção até um carro recebeu da namorada mas não há nada como poder juntar mais um recorde a uma carreira que por si só é um recorde, dividido entre capítulos sem número nem ponto final. Por isso, a deslocação a Verona, que antecedia a deslocação a Milão para defrontar o AC Milan na primeira mão das meias da Taça, tinha mais um ponto paralelo além da tentativa de manter a liderança isolada da Serie A.

Entre Sassuolo, Lazio, Udinese, Sampdória, Cagliari, Roma Parma, Nápoles e Fiorentina, o número 7 marcou um total de 14 golos, igualando David Trezeguet como único jogador a marcar em nove jornadas consecutivas da Serie A. Mais um golo valia mais um recorde – desta vez isolado. Mas, em paralelo, valia a confirmação de uma entrada avassaladora no ano civil de 2020 que começara com um total de dez golos nos primeiros seis jogos. Mais uma vez, Ronaldo não falhou, marcando pela décima ronda seguida num golo fantástico começado no meio-campo e em que fez um sprint como se fosse Usain Bolt (com as devidas distâncias) até ao remate final que inaugurou o marcador (65′). No entanto, as coisas acabariam por não correr à mesma velocidade para a Juventus, que se deixou perder no último quarto de hora (2-1) e tem a liderança isolada agora em risco.

Com golos de Fabio Borini (76′) e Pazzini (86′, de grande penalidade), a equipa de Miguel Veloso (titular que saiu aos 58′ quando o resultado ainda não estava a zeros) conseguiu dar a volta e subir de forma provisória ao sexto lugar da classificação, o último que dá acesso às competições europeias da próxima temporada. Já a Juventus, que sofreu a terceira derrota na Serie A, mantém os 54 pontos e poderá ser igualada pelo Inter que defronta este domingo o AC Milan num dérbi muito aguardado também depois do regresso de Zlatan Ibrahimovic.

Já Ronaldo, que marcou o 20.º golo em 20 jogos da Serie A e o 34.º golo em 34 jogos pela Juventus e pela Seleção Nacional (uma média de um golo por jogo, a recordar o que fez durante várias épocas em Madrid), aumentou também para 11 o número de temporadas consecutivas em que marcou pelo menos 20 golos no Campeonato. Outra curiosidade: desde que Lionel Messi recebeu a sexta Bola de Ouro, no início de dezembro, o avançado português marcou um total de 14 golos contra apenas cinco do argentino.