Trinta pessoas morreram na Tailândia na sequência do ataque de um militar que disparou indiscriminadamente no interior de um centro comercial, onde se barricou com vários reféns durante mais de 15 horas. O último balanço feito pelas autoridades do país apontavam para 26 mortos, para além do próprio agressor que foi abatido pela polícia.

Entre as vítimas mortais constam 23 civis, três policias e três militares. O ato causou ainda 52 feridos, dos quais 32 estão ainda hospitalizados, oito deles em estado grave, indica o último relatório das autoridades sobre o ocorrido.

O ataque aconteceu em Nakhon Ratchasima (também conhecida por Korat), no nordeste do país, a 250 quilómetros da capital, Bangkok. O primeiro-ministro, Prayut Chan-O-Cha, afirmou tratar-se de um tiroteio “sem precedentes” no país.

“Não há precedentes na Tailândia e quero que esta isto nunca mais aconteça”, declarou, em conferência de imprensa, num hospital de Nakhon Ratchasima, para onde foram levadas as vítimas do ataque. Dos 57 feridos, 25 já tiveram alta, indicou. O chefe do Governo tailandês acrescentou que o motivo do atacante era pessoal e relacionado com um conflito devido à “venda de uma casa”.

De acordo com o canal de televisão Thai Rath, que citou fontes policiais, a polícia tailandesa abateu a tiro o soldado, de 32 anos, identificado como Jakrapanth Thomma, que esteve entrincheirado durante 16 horas no centro comercial Terminal 21 Korat, em Nakhon Ratchasima.

Segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press, no sábado e antes de se dirigir para o centro comercial, o soldado matou um outro soldado e uma mulher e feriu uma terceira pessoa. Jakrapanth Thomma terá estado barricado no quarto andar do centro comercial onde manteve mais de uma dezena de pessoas como reféns, segundo os media locais. Além disso, outro número indeterminado de pessoas ficou retido dentro do centro comercial, que estava à tarde cheio de visitante. Cerca das 19:45 (hora de Portugal,02:45 na Tailândia) ouviu-se um intenso tiroteio dentro do centro comercial. Várias ambulâncias chegaram ao edifício.

“O atirador utilizou uma metralhadora para atirar sobre vítimas inocentes”, afirmou, em declarações à agência France Presse (AFP), um porta-voz da polícia tailandesa.

De acordo com um canal de notícias local (Thairath), o suspeito roubou um veículo da base militar onde estava destacado para se deslocar até ao centro da cidade de Nakhon Ratchasima. Antes de sair da base, o soldado abriu fogo contra um militar superior e outros elementos. O autor, que transmitiu em streaming imagens do ataque, publicou nas redes sociais várias mensagens de teor político e de vingança contra as forças militares.

A página foi encerrada pelo Facebook pouco depois. “Devo render-me?” ou “Ninguém pode escapar da morte” são algumas das frases que foram publicadas na rede social pelo suspeito, relataram as agências Numa das publicações, o atacante disse: “Cansado, mal consigo mexer os meus dedos”.

Os media locais mostraram imagens do soldado a sair de um carro em frente à área comercial e a abrir fogo sobre as pessoas enquanto estas fugiam.

O ataque terá começado por volta das 18h00 (11h00 em Portugal continental), quando o suspeito parou um veículo em frente ao centro comercial e começou a disparar. Depois desencadeou uma explosão.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram transeuntes a refugiarem-se atrás de automóveis durante o ataque.

Atualizado às 14h45 de domingo com balanço de vítimas.