De um lado Pany Varela e João Matos (além de Cardinal, que fazia parte do grupo mas falhou a fase final por motivos físicos), do outro André Coelho, Bruno Coelho, Tiago Brito, Fábio Cecílio e agora também André Sousa, guarda-redes que passou para o outro lado da 2.ª Circular. Quase dois anos depois, ou a um dia de se celebrarem dois anos da histórica vitória de Portugal frente à Espanha na final do Campeonato da Europa, o dérbi entre Sporting e Benfica continua a ser um dos maiores espetáculos de futsal. No entanto, e por causa das datas FIFA numa altura de qualificação para o Campeonato do Mundo (que voltará a ter a Seleção Nacional, pela sexta vez consecutiva), este foi também um jogo “atípico” e um desafio para ambas as equipas.

Exemplo prático? O torneio de qualificação sul-americano para o Mundial, que apurou Brasil, Argentina, Paraguai e Venezuela, que terá este domingo a final entre os favoritos Brasil e Argentina mas que tirou Guitta, Roncaglio, Rocha e Fits do dérbi – ou seja, os dois guarda-redes habitualmente titulares e os dois pivôs mais possantes para os técnicos apostarem mais num 3:1. E a isso acrescentavam-se ainda baixas por lesão, o que acabou por condicionar a preparação para o dérbi nas últimas duas semanas mas, ao mesmo tempo, abria uma maior imprevisibilidade sobre aquilo que Sporting e Benfica poderiam trazer de novo para o 110.º duelo oficial.

A tudo isso era necessário juntar o filme do que se passou na presente temporada entre campeão europeu (que falhou a entrada na Final Four da Champions para tentar revalidar o título) e campeão nacional: depois da vitória dos leões na Supertaça por 6-2, os encarnados venceram na primeira volta da Liga na Luz (4-3) e voltaram a ganhar também na final da Taça da Liga (5-4), naquele que foi o melhor e mais emocionante dérbi até ao momento esta época. Agora, no Pavilhão João Rocha, o Sporting foi mais forte decidindo o encontro com dois golos em três minutos da primeira parte que fizeram a diferença (2-0), passando a liderar de forma isolada a Liga e dependendo apenas de si para terminar a fase regular antes do playoff no topo da classificação.

O encontro começou demasiado morno, quase como se ambas as formações estivessem à espera dos adeptos que ainda não estavam no interior do recinto, e com menos remates do que é normal e aconteceu por exemplo na final da Taça da Liga. No entanto, a maior agressividade e intensidade do Sporting conseguiu fazer a diferença em menos de três minutos aproveitando erros defensivos “anormais” do Benfica que permitiram duas situações de superioridade numérica: primeiro foi Alex a assistir Taynan para o 1-0 (7′), depois foi Varela a entregar de bandeja o golo a Pauleta que fez o 2-0 (9′). Fernandinho, um dos jogadores encarnados em melhor forma, deu depois o mote para a melhoria da equipa de Joel Queirós mas as oportunidades não foram transformadas.

Os despiques individuais mais acesos e os contactos com maior ou menor intensidade que iam sendo ou não assinalados pelos árbitros mas que eram sempre motivo de protestos dos dois lados consoante a decisão acabaram por tirar alguma organização coletiva às equipas, com o jogo a entrar numa toada em que o Benfica tinha mais posse e iniciativa criando quatro boas oportunidades para reduzir mas o Sporting, com menos remates, a conseguir ter chances flagrantes como um remate de Taynan salvo em cima da linha de golo. Mais do que a eficácia, que poderia valer um resultado pela margem mínima e não o 2-0 que se registava ao intervalo, fazia a diferença a capacidade de jogar sem bola – e aí o conjunto de Nuno Dias foi quase sempre superior.

O segundo tempo misturou as principais características da metade inicial mas sem a parte dos golos: um arranque morno, com poucas oportunidades flagrantes, com mais posse do Benfica (e em terrenos mais avançados do que o adversário), um maior número de remates mas com o Sporting (que apostou no jovem Tomás Paçó, internacional nas camadas jovens que correspondeu) a beneficiar de situações de 3×2 ou 3×3 que iam deixando quase sempre André Sousa em apuros. Na parte final, como seria expectável, os encarnados arriscaram no 5×4 com Bruno Coelho como guarda-redes avançado mas o resultado não voltaria a mexer no Pavilhão João Rocha.