A Cotovia lançou, neste mês de fevereiro, uma nova edição do livro Versos, de Amália Rodrigues, que este ano celebra o seu 100.º aniversário. Esta edição, a 10.ª, já está disponível nas livrarias.

Publicado originalmente em 1997, quando Amália era viva, Versos inclui alguns dos poemas que a fadista escreveu e cantou, mas também textos mais antigos, dos tempos da juventude, e tardios, “logo entristecidos, mais cansados”, como refere a nota do editor. Entre os versos a que deu voz, contam-se, por exemplo, “Lágrima”, “Grito” ou “Estranha forma de vida”:

“Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais são meus
Que é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus

Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
Vive de vida perdida
Quem lhe daria o condão
Que estranha forma de vida

Coração independente
Coração que não comando
Vives perdido entre a gente
Teimosamente sangrando
Coração independente

Eu não te acompanho mais
Pára deixa de bater
Se não sabes onde vais
Porque teimas em correr
Eu não te acompanho mais”

Além de Versos, a editora lançou também este mês, em parceria com a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, as crónicas que Nuno Brederode Santos, considerado um dos mais notáveis cronistas portugueses do século XX, publicou no jornal Expresso ao longo de 20 anos.

No prefácio, Alexandra Lucas Coelho descreve o volume da seguinte forma: “Quem buscar entretenimento, tem-no aqui q.b. Mas, como nos espelhos de obsidiana, o passado contém o presente que contém o futuro, mesmo que ainda não possamos entender tudo o que estas crónicas dizem sobre nós. O Nuno acredita na construção contínua da democracia, em ‘votar hoje para poder votar amanhã’, portanto nas pessoas. Nunca a paródia dele é para nos apequenar, ao contrário. Isso é parte do que o distingue dos cínicos, e é parte da exigência que este livro coloca a cada um. O Nuno acredita em nós”.