Cavaco Silva é mais um nome a somar à lista dos portugueses que pedem a realização de um referendo caso o Parlamento aprove um dos projetos de lei que prevê a despenalização da morte medicamente assistida.

Numa declaração à Rádio Renascença, o ex-Presidente da República considerou que caso os deputados façam aprovar a despenalização da morte medicamente assistida será “a decisão mais grave para o futuro da nossa sociedade” ao “abrir uma porta a abusos na questão da vida ou da morte de consequências assustadoras”.

Cavaco Silva vai mais longe e, na hipótese de ver o referendo recusado, sugere aos “portugueses que defendem o primado da vida humana” que registem “o nome daqueles que, na Assembleia da República, votaram a favor da eutanásia”, para que no futuro não esqueçam “quem são os responsáveis por tão grave erro moral”.

Para o anterior chefe de Estado a prioridade dos partidos — que em maio de 2018 chumbaram a despenalização da eutanásia — devia ir para o “combate à pobreza, ao desenvolvimento da rede de cuidados paliativos, ao combate à corrupção” ou a “a tirar Portugal da cauda da União Europeia em matéria de desenvolvimento”. Cavaco Silva lembrou ainda à Renascença que há “pouquíssimos países do mundo em que a eutanásia é legal” e que “têm vindo a aumentar as denúncias da prática da morte sem o consentimento explícito da própria pessoa”.

“Estando em causa a questão da vida ou da morte, apelo a todos a que lutem para que a Assembleia da República ouça a voz do Povo através da realização de um referendo. É uma decisão tão grave que deve ser amplamente discutida e explicada antes de ser decidida”, afirmou na declaração à Renascença, Cavaco Silva.