O representante permanente de Portugal junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Francisco Duarte Lopes, disse à agência Lusa que a “aposta estratégica” portuguesa na investigação pode servir de exemplo para outros países.

“Nós, ao trazermos aqui o nosso exemplo, queremos ajudar outros países a darem esses passos”, declarou o representante português na terça-feira, referindo-se ao investimento feito na ciência e na investigação científica em Portugal, país onde 45% dos investigadores são mulheres.

À margem da assembleia do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, iniciada na terça-feira e coorganizada por Portugal na sede da ONU, em Nova Iorque, Francisco Duarte Lopes disse que “ficou claro” que, em diversas partes do mundo, “há condicionalismos legais e regulamentares que impedem as mulheres de escolher carreiras, caminhos e ocupações profissionais na ciência”.

Apesar do equilíbrio que se verifica no país, o embaixador português para a ONU reconheceu que “ainda há algum trabalho a fazer, nomeadamente na área de assegurar que o caminho está aberto nas várias áreas ligadas à ciência, investigação e inovação, quer para os homens, quer para as mulheres”.

Portugal, um dos oito países coorganizadores da assembleia do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, foi destacado por vários participantes na terça-feira, facto que o representante português atribuiu à parceria de vários anos com a organização não-governamental RASIT (Royal Academy of Science International Trust), principal impulsionadora do evento.

Depois de moderar um painel de alto nível com o tema de igualdade na ciência agrícola, tecnologia e inovação para um crescimento ecológico inclusivo, Francisco Duarte Lopes considerou que uma das mensagens mais marcantes da assembleia foi a referência à Convenção sobre Igualdade de Remuneração de 1951 por Amber Barth, responsável de programas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“A igualdade em remuneração é um assunto que, obviamente, devíamos ter resolvido há muito tempo e, no entanto, ainda nesta altura, em 2020, estamos a trabalhar em como conseguir a igualdade nos níveis de remuneração entre homens e mulheres”, destacou à Lusa o antigo diretor-geral de Política Externa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

Por outro lado, Duarte Lopes sublinhou um número “impactante” que se falou na terça-feira, de que “três quartos das horas de trabalho na agricultura são gastos pelas mulheres (…), mas em termos de remuneração recebem, provavelmente, menos de um quarto”.

Por último, o representante português junto da ONU destacou a participação de meninas e jovens que “já decidiram seguir percursos escolares e profissionais na ciência e investigação e algumas trabalham em soluções práticas para resolver problemas que se colocam às mulheres, por exemplo na agricultura”.

O dia 11 de fevereiro foi celebrado, pela quinta vez, como Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, sob o tema de “Investimento para igualdade na ciência, tecnologia e inovação na era da digitalização para um crescimento verde inclusivo”, com principal foco dado à agricultura, tecnologia e economia digital.