A empresa canadiana OP AGC Central Lda quer iniciar em 2020 a prospeção de petróleo na zona conjunta da Guiné-Bissau e Senegal. Na passada terça-feira, a empresa estrageira esteve reunida com as entidades públicas, privadas e as autoridades tradicionais da regiões de Cacheu, Bolama, Biombo e Bissau.

Em declarações à Lusa, Mamadou Samba, consultor senegalês ao serviço da OP AGC, disse que, para já, está em curso a auscultação que levará às consultas públicas para depois elaborar um documento de avaliação do impacto ambiental que a exploração do petróleo trará na vida daquelas populações.

A OP AGC pretende iniciar a prospeção, com a abertura de pelo menos dois poços, ainda no decurso deste ano, lê-se num documento entregue à Lusa em que a empresa assinala os passos que deve dar ao abrigo da lei do petróleo do Senegal, sede do grupo.

Na reunião, estiveram presentes régulos (chefe tradicional), líderes comunitários, jovens, administradores setoriais, governadores regionais, técnicos e pessoal das Organizações Não Governamentais (ONG) que abordaram com a empresa as medidas serão tomadas em caso do início das atividades de prospeção. Questões como o derrame do crude, o lixo, a poluição e a compensação financeira são, entre outras, as preocupações levantadas pelos vários intervenientes na sessão que decorreu na sede do Instituto da Biodiversidade e Áreas Protegidas (IBAP), em Bissau.

A ZEC foi constituída em 1993, após disputas nos tribunais internacionais entre a Guiné-Bissau e o Senegal e comporta cerca de 25 mil quilómetros quadrados da plataforma continental. As futuras receitas da exploração de petróleo serão dividida em 85% para o Senegal (que dispensou 54% do seu território marítimo para ZEC), e 15% para a Guiné-Bissau (que prescindiu de 46%).