A Polícia Judiciária descobriu o rasto de 1.500 milhões de dólares que passaram por contas secretas no Banif, segundo a Sábado, que saiu esta quinta-feira nas bancas. A revista cita um relatório confidencial da Unidade de Informação Financeira da Polícia Judiciária enviado em 2015 ao então diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Amadeu Guerra.

A revista avança que a descoberta ocorreu um mês depois de o Banif ter comunicado voluntariamente operações suspeitas de branqueamento de capitais. E escreve que, logo depois, foram bloqueadas preventivamente três transferências destinadas a contas em nome de offshores que seriam alegadamente controladas pela empresa brasileira Odebrecht, envolvida na investigação Lava Jato.

Neste documento, diz a Sábado, a PJ concluiu que os valores em causa ultrapassavam os 1.500 milhões de dólares (ou 1.400 milhões de euros). O alegado esquema terá durado uma década sem que as operações suspeitas tivessem sido comunicadas pelo Banif às autoridades, incluindo já no período em que o Estado estava a injetar dinheiro para tentar salvar o banco.

No DCIAP, o relatório da PJ foi associado aos pedidos de colaboração enviados pela justiça brasileira no âmbito da operação Lava Jato, deixando o Banif como suspeito de branqueamento de capitais.

A Sábado revela que os documentos da investigação brasileira tem várias referências ao Banif, que alegadamente faria parte de um circuito internacional financeiro utilizado para corromper políticos e gestores públicos brasileiros.

A Sábado garante, no entanto, que o processo está parado, cinco anos depois, por falta de meios técnicos e humanos na PJ.