A análise das vendas de veículos no mercado espanhol, durante 2019, trouxe boas e más notícias. As más dizem respeito à redução verificada na procura por veículos novos, o que prejudica directamente as finanças dos construtores, com a boa nova a apontar para um crescimento muito superior ao habitual na comercialização de veículos usados. Esta “fuga” para os carros em segunda mão deixa ainda mais preocupados os fabricantes de automóveis.

Durante os 12 meses do ano que findou, os consumidores espanhóis adquiriram menos 12% de automóveis novos, uma quebra demasiado importante para não fazer soar os alarmes dos fabricantes. Paralelamente, o número de clientes à procura de bons negócios com carros usados disparou 17%, tendo o mercado caído 4,8% no total. E, para piorar ainda mais a situação, estes veículos em segunda mão têm em média 20 anos, o que significa modelos menos eficientes sob o ponto de vista energético e ambiental, gastando e poluindo mais.

Para provar que “um mal nunca vem só”, o mês de Janeiro não trouxe melhores notícias, com as vendas de carros novos a diminuírem 14%, arrastando o mercado total para uma redução nos registos de 7%. Os clientes parecem preferir pagar o mesmo valor por um veículo usado e maior do que pagariam por um modelo novo, mais pequeno, mais económico e menos poluente.

O receio de que este comportamento se estenda ao resto da Europa é grande, o que pode complicar duplamente a vida aos construtores de automóveis. Primeiro, porque a aquisição de usados não contribui para a sua facturação nem lucros, o que pode colocar em risco a manutenção das fábricas e postos de trabalho. Segundo, porque a redução das vendas, especialmente de veículos mais ecológicos e, logo, com menores emissões de CO2, não ajuda a diminuir as emissões médias de carbono da gama, expondo as marcas às pesadas multas impostas por Bruxelas.