O Ministério Público (MP) acusou três familiares de um aluno da Escola Básica do Lagarteiro, no Porto, pela agressão a uma professora de Educação Física, em maio de 2018, anunciou esta quinta-feira a Procuradoria Distrital.

A professora foi agredida por repreender um aluno de 8 anos e o despacho de acusação do MP agora conhecido associa aos crimes um casal (tios do menor) e uma avó da criança. Outro professor que tentou socorrer a colega foi igualmente agredido e funcionários da escola acabaram ameaçados por um quarto familiar da criança, um avô, igualmente arguido no processo, segundo a acusação.

O MP considerou indiciado que os tios e a avó do aluno decidiram “tirar desforço de uma professora de educação física do referido aluno, a pretexto de esta o ter repreendido”, afirma a Procuradoria Distrital, numa síntese da acusação.

Na concretização dessa decisão, pelas 17h de 8 de maio de 2018, “galgaram o gradeamento que delimita o recinto da dita escola, passando para o interior deste. Aí, abordaram a dita professora e bateram-lhe, tendo uma das arguidas batido também num outro professor que acorreu a socorrer a sua colega”. Tudo enquanto insultavam a vítima.

Os tios e a avó da criança estão acusados pela prática dos crimes de introdução em local vedado ao público, ofensa à integridade física qualificada e injúria agravada.

Já o avô do menor está acusado por ameaça agravada uma vez que, um dia após os factos, “proferiu dizeres ameaçadores dirigidos a trabalhadoras da escola”, junto ao gradeamento do estabelecimento de ensino.

Registos policiais da altura dos factos indicam que a docente, de 30 anos, terá sido agredida no interior do estabelecimento de ensino a socos e pontapés. Foi transportada para o Hospital de Santo António, no Porto, com lesões na cabeça.

“Nada justifica ou desculpabiliza a agressão a um professor, uma experiência traumática e difícil de ultrapassar”, reagiu na ocasião o Sindicato dos Professores do Norte, dizendo esperar que os agressores “sejam criminalmente e exemplarmente punidos”.

Os factos levaram também dezenas de professores a manifestarem-se à porta da Escola Secundária do Cerco, no Porto, sede do agrupamento a que pertence a escola, repudiando as agressões e apelando ao reforço do número de funcionários das escolas.