Em outubro, a Juventus já tinha vendido mais de 1,3 milhões de camisolas desde a chegada de Ronaldo a Turim no verão de 2018, num total de 170 milhões de euros encaixados só por aí (a que depois se tem de deduzir os custos de produção) – e pela primeira vez um clube da Serie A ultrapassou esse número mágico de 1.000.000. Mas não foi só assim que deu o salto, aumentando em 22 milhões de euros os encaixes em patrocínios e publicidade e subindo em quase 40 milhões os números de seguidores nas redes sociais. Esta semana houve mais um contrato fechado.

A Vecchia Signora anunciou o prolongamento por dez anos do naming do seu estádio até junho de 2030, numa operação com a Allianz que vai envolver a verba de 103 milhões de euros a que se juntam “disposições dos acordos já existentes”. O avançado português pode ter ganho várias alcunhas ao longo da carreira pelas sucessivas metas alcançadas mas se existe uma marca que sempre lhe assentou é a de Rei Midas: o que toca, transforma-se em ouro. E é também por isso que se vão lendo amiúde notícias sobre um possível interesse dos campeões transalpinos na contratação de – Ronaldo pode ter custado muito (100 milhões de euros), pode ter de longe o ordenado mais alto do plantel (31 milhões/ano) mas tem a capacidade de ser fazer pagar tal como o argentino.

O caso da Adidas é exemplo paradigmático do peso que o capitão da Seleção Nacional tem atualmente na equipa de Maurizio Sarri, dentro e fora de campo: apesar de ser patrocinado há muitos anos pela Nike, Ronaldo ajudou a que o contrato da marca alemã com a Juventus passasse de 23,25 milhões por época para mais do dobro (51 milhões). A FCA (Fiat Chrysler Automobiles), empresa da família Agnelli, não quis ficar atrás e aumentou o seu patrocínio de 17 para 42 milhões de euros. Ronaldo “paga”, paga-se e faz-se pagar em euros mas a conta bancária onde quer seguir a faturar tem como moeda os títulos (coletivos e individuais) e os desafios. Como esta noite, em Milão. E logo num contexto onde se começa a escrever em Espanha que o português está a tentar procurar outro clube.

De acordo com o ABC, o avançado terá comunicado ao agente Jorge Mendes que, caso não vença este ano a Liga dos Campeões, está disposto a aceitar um outro projeto desportivo, havendo nesta altura uma espécie de “estudo de mercado” às equipas de primeira linha que estariam dispostas a apostas no número 7. Isto na semana em que a imprensa italiana deu eco à insatisfação do avançado depois da derrota da Juventus em Verona, num jogo onde marcou pela décima jornada consecutiva na Serie A mas a equipa acabou por sair derrotada (2-1). Depois, rola a bola. E mesmo com a Juventus a jogar pouco ou nada e mesmo com Ronaldo a jogar pouco mais que nada, lá apareceu o golo milagroso do avançado, de grande penalidade, a empatar um encontro que parecia perdido (1-1).

Ao todo, Ronaldo marcou 12 golos nos últimos oito jogos. Onde marcou sempre. Ou seja, há 38 dias que o número 7 marca em todos os encontros realizados entre Serie A e Taça de Itália. Mais ainda: aos 35 anos, Ronaldo realizou a 35.ª partida oficial da época entre Juventus e Seleção Nacional e marcou o seu 35.º golos em 2019/20.

Além de ser a primeira mão da meia-final da Taça de Itália (única prova interna que ainda não ganhou) e de estar perante um dos clássicos com mais história do país, este era também o reencontro com Zlatan Ibrahimovic, que aos 38 anos voltou ao AC Milan após a passagem pelos americanos do Los Angeles Galaxy. Ou seja, o reencontro com alguém que não perde uma oportunidade para “picar” Ronaldo dizendo que o único com esse nome que conhece é o Fenómeno brasileiro e que aquele pontapé de bicicleta do número 7 foi bom mas não à distância de 40 metros como um dia o escandinavo conseguiu. “O duelo com Cristiano Ronaldo vai ser estimulante. É bom tê-lo aqui na Itália, é bonito para a Serie A. Mas o meu desafio é contra mim mesmo. Se estiver em campo e não render, é melhor colocarem outro. Quero permanecer num nível alto, marcar e ajudar o clube”, disse na apresentação.

Com três remates em apenas cinco minutos, o AC Milan não demorou a mostrar ao que vinha mas a Juventus foi conseguindo equilibrar com mais posse (raramente vertical, o que tirava qualquer hipótese de criar situações de perigo) e criou mesmo lances prometedores até ao último terço sempre que Dybala conseguia descer no campo, ganhar espaço entre linhas e virar com bola controlada. Cuadrado, com um remate de fora da área para defesa enorme de Donnarumma, teve a única ameaça bianconeri à baliza do conjunto de Milão, com Rebic a testar por duas ocasiões os (bons) reflexos de Buffon, que aos 42 anos voltou a ser dos melhores da Juventus.

No segundo tempo, os visitados voltaram a entrar melhor mas, ao contrário do que se tinha passado na metade inicial, a formação de Maurizio Sarri nunca teve o conforto suficiente em campo para reagir e viu mesmo Rebic inaugurar o marcador já depois de três grandes defesas de Buffon, na sequência de um cruzamento largo de Castillejo da direita desviado ao segundo poste perante a passividade da defesa da Juventus (61′). A expulsão de Theo Hernández por acumulação de amarelos (71′) acabou por desequilibrar os pratos da balança e seria de grande penalidade, já depois de outro penálti perdoado a Rebic por cotovelada sobre Cuadrado, que Ronaldo marcaria o golo do empate (90′), ficando mais uma vez a sorrir no duelo com Ibrahimovic que entre Manchester United-Inter, Real Madrid-Barcelona, Real Madrid-AC Milan e Portugal-Suécia (esse mesmo em que o português fez um hat-trick que qualificou a Seleção para o Mundial de 2014) apenas não sorriu ao número 7 no clássico espanhol.