“Chegou a hora de todos colocarmos a mão na consciência, dizer que o Sporting está acima de tudo e todos. Então, deixemos de falar e passamos aos atos, à contenção (…) A Juventude Leonina não quer protocolo nem benefícios (…) Apelo a todos para que se mobilizem em massa no apoio das várias equipas. As claques têm de deixar de ser o foco pois já todos percebemos a estratégia. Temos de ser nós a condenar a violência”. Pouco depois do anúncio de uma conferência de imprensa para este sábado, percebia-se através das palavras de um dos principais dirigentes da claque nas redes sociais o propósito da mesma. E, em três frases, três mensagens que daí se podiam retirar.

Por um lado, o primeiro passo para o fim de uma guerra aberta que se arrasta há alguns meses (mesmo que se vá mantendo sob a forma de “guerra fria”, atendendo às divergências entre partes); por outro, a vontade de mostrar que é o apoio às equipas do Sporting que estão no centro das motivações da claque e não os ganhos diretos com os protocolos e subsequentes benefícios; por fim, a necessidade de colocar termo à “colagem” imediata que existe entre episódios de violência, como aquele que aconteceu no passado domingo no Multidesportivo (sem falar na invasão da Academia), e a claque. De uma forma ou outra, através de comunicados ou textos publicados nas redes sociais, essas ideias foram sendo defendidas. Não sendo suficientes, foram apresentadas em termos públicos, como foi explicado logo no início da conferência realizada na sede da claque, a “Casinha”.

“As claques do Sporting eram uma minoria na manifestação. Todo o mundo esteve muito bem, a organização foi feita pela Associação Juventude Leonina, tudo ao pormenor, com a direção da claque e dos núcleos. A própria PSP veio depois dar os parabéns pela forma como tudo se passou. No interior do Multidesportivo ocorreram umas alegadas agressões que o doutor Frederico Varandas, presidente do Sporting, veio dizer que tinha visto as imagens e que tinham sido de pessoas alusivas ou com roupas alusivas à Juventude Leonina. Mais uma vez constatamos que as imagens não mostram nada com alusões à Juventude Leonina, as pessoas não fazem parte da Juventude Leonina e não se conseguem ver mesmo as agressões”, começou por referir o dirigente António Cebola.

“A seguir a Alcochete, a Juventude Leonina tomou uma posição de tolerância zero para com a violência. Tolerância zero é não permitir que alguém que cometa esses atos passe impune, é logo expulso. Não queremos ser coniventes com atos de violência gratuitos. As pessoas que estiveram na manifestação de domingo mostraram-se ainda mais como somos importantes no apoio às equipas, às modalidades. A Juventude Leonina não manda no Sporting, a Juventude Leonina não é nada sem o Sporting. Como está nos estatutos, só queremos apoiar o Sporting, se calhar corre melhor nas modalidades porque não está lá o presidente, deslumbrado pela cadeira do poder. E lamentamos isso, gostávamos de o ver mais nas modalidades”, prosseguiu o responsável da claque.

“Nós somos a tal escumalha como as outras pessoas que estiveram connosco, não concordamos com o rumo que o Sporting está a levar, com os resultados que estão a acontecer. Frederico Varandas disse que queria unir o clube mas só está a desestabilizar. Não podemos ser mais os bodes expiatórios. Se chove e ele se molha, a culpa é da Juventude Leonina. Não podemos ser mais a desculpa. Chega de aparições do presidente apenas para culpar a Juventude Leonina. Queremos garantir também que teremos um maior cuidado ainda para que no topo Sul nada seja estragado do património do clube. Estes sócios merecem que apoiemos 90 minutos. O facto de termos feito os protestos de 45 minutos não foi contra a equipa, nós queremos é que eles ganhem”, ressalvou, explicando ainda que esse protesto também foi feito pelo facto de não poderem entrar com material em Alvalade.

António Cebola acrescentou ainda um episódio em concreto, que se passou na última visita do Sporting aos Açores: Frederico Varandas acusou a Juventude Leonina de ter estado por trás dos cânticos “Alcochete Sempre” que se ouviram na chegada da equipa ao hotel mas que, uns minutos depois, identificados os elementos pela polícia, percebeu-se que não teriam qualquer ligação à claque. “Não pediu desculpa”, referiu. Daniel Samico, membro da direção, reforçou depois a ideia principal da conferência: “Não queremos ser os culpados disto tudo”.

“Nós queremos um presidente com carisma, que não é o caso. Queremos um presidente que esteja no clube muitos anos, com paz. Não queremos andar a abrir Caixas de Pandora. O protocolo que nos foi apresentado por esta Direção até ultrapassava o que íamos pedir. As famosas Gamebox de 120 euros, vendemos e não tivemos nada de lucro. Não vivemos disto, não precisamos graças a Deus e ao nosso trabalho. Agradecemos os benefícios, apenas isso. Nesse protocolo toda a direção e staff da Juventude Leonina tinha direito a Gameboxes gratuitas. Nunca nos pagaram viagens e neste caso isso estava no protocolo. Com este protocolo, com tantas regalias, nós estávamos caladinhos, não tínhamos contestado nem tínhamos ficado sem protocolo… Não são os protocolos que nos movem, é o amor pelo clube. Existem pessoas nos órgãos sociais que são bastante válidas, que de certeza que não se reveem. Com Frederico Varandas vamos continuar a fazer protestos, já temos mais um agendado, com cuidados redobrados para não tirarem o foco”, rematou António Cebola.