O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, admitiu este sábado que a rede social deve ser objeto de regulação por parte dos estados. Numa conferência internacional em Munique, Zuckerberg considerou que o Facebook deve ser entendido como estando entre um meio de comunicação social e uma empresa de telecomunicações — e que isso se deve refletir no modo como a rede social é regulada pelos poderes públicos.

“Neste momento, há dois enquadramentos para as indústrias existentes. Há os jornais e os meios de comunicação social, e depois há o modelo das empresas de telecomunicação, por onde a informação passa — mas não vamos responsabilizar uma empresa de telecomunicações se alguém disser algo de prejudicial através de uma linha telefónica. Penso que nós devemos estar algures no meio”, resumiu Zuckerberg, de acordo com declarações citadas pelo jornal britânico The Guardian.

Sublinhando que “não é possível ter um editor humano responsável por verificar cada um” dos cerca de 100 mil milhões de conteúdos publicados diariamente no Facebook por milhões de utilizadores, Mark Zuckerberg disse que a empresa tem hoje 35 mil funcionários dedicados exclusivamente a monitorização dos conteúdos da rede social e à segurança — e defendeu que deve haver regulação estatal sobre as redes sociais, incluindo o Facebook, em assuntos como as eleições, o discurso político, a privacidade e os dados pessoais.

Zuckerberg acrescentou que, embora não se possa comparar a responsabilidade que o Facebook tem sobre os conteúdos que são publicados na rede social e a responsabilidade que um jornal tem sobre as informações publicadas nas suas páginas, é necessário encontrar uma nova forma de regulação estatal — um intermédio entre a regulação dos media e das empresas de telecomunicação.

O líder do Facebook explicou ainda, numa conferência que reúne responsáveis políticos e especialistas em tecnologia, como tem desenvolvido esforços no sentido de impedir que a rede social seja usada como forma de interferência em atos eleitorais. Neste momento, sublinhou Zuckerberg, o Facebook já eliminou perto de um milhão de contas associadas a este tipo de atividade e investe em segurança uma quantia equivalente ao valor total da empresa em 2012.

Zuckerberg anunciou mais alguns dados sobre a auto-regulação do Facebook, afirmando que atualmente a rede social consegue eliminar 99% dos conteúdos terroristas antes de receber qualquer denúncia e 80% dos conteúdos que incluem discurso de ódio antes de estes serem identificados pelos utilizadores. O fundador da rede social admitiu, porém, que o sistema de Inteligência Artificial do Facebook ainda tem dificuldades em distinguir a linguagem que seja considerada discurso de ódio e a usada para condenar esse mesmo tipo de discurso.