A guerra entre Boris Johnson e a estação britânica BBC está para durar e até se pode vir a acentuar nos próximos meses, a ponto de a estação poder sofrer uma remoledação profunda. Segundo revelou este domingo o Sunday Times, que citou uma “fonte sénior” da administração do Governo britânico, a taxa de licença da BBC enquanto estação pública de televisão — financiada com impostos dos contribuintes — pode estar em risco. A BBC pode-se inclusivamente tornar um “serviço de subscrição”, pago pelos seus consumidores e espectadores e não com fundos públicos, como referiu o jornal.

A fonte citada pelo Sunday Times apontou mesmo, como refere o jornal britânico The Guardian, que o primeiro-ministro britânico que sucedeu a Theresa May mostrou-se “verdadeiramente estridente” quanto à necessidade de uma reforma profunda da estação, que pode incluir também uma “redução do número de canais de televisão” da estação. Atualmente, a BBC tem oito canais televisivos nacionais e vários canais locais e regionais no Reino Unido.

As mudanças que se preveem são tratadas pelo The Guardian como um “potencial ataque” do governo de Boris Johnson à estação pública de informação e deverão ser vistas como “o aumento da hostilidade” entre o executivo e a BBC. Posteriormente, o secretário de estado dos Transportes do Reino Unido, Grant Shapps, confirmou à Sky News que está a ser feita uma “consulta” à hipótese de substituir a estação de meio de comunicação financiado com impostos para serviços de subscrição pago.

A estação pública britânica de rádio e televisão foi acusada de ter coberto as últimas eleições legislativas no Reino Unido, que resultaram numa maioria absoluta conquistada pelo Partido Conservador de Boris Johnson, com parcialidade e enviesamento.

Curiosamente, a estação recebeu críticas quer de militantes e espectadores trabalhistas quer de militantes e espectadores tories. A BBC defendeu-se das acusações, recusando ter sido tendenciosa no acompanhamento da campanha eleitoral. Boris Johnson, contudo, já recusou entrevistas à estação por considerar que tem uma agenda anti-conservadora. As notícias sobre os cortes orçamentais do governo à BBC caso Boris Johnson fosse eleito primeiro-ministro surgiram ainda durante a campanha eleitoral.