O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse esta segunda-feira que os Estados Unidos estão prontos para ajudar Angola a responsabilizar quem está envolvido em escândalos de corrupção e na promoção de transações “limpas e transparentes”.

Questionado sobre os pedidos de colaboração que Angola tem endereçado a vários países para conseguir repatriar capitais e responsabilizar os envolvidos em escândalos de corrupção, Pompeo respondeu que os Estados Unidos apoiam estes esforços em todo o mundo e querem que as transações financeiras “sejam limpas e transparentes”.

Quando descobrimos que este não é o caso, os Estados Unidos irão usar todos os seus recursos para corrigir o que está errado. Iremos certamente fazer o mesmo para ajudar Angola”, afirmou o responsável norte-americano, em declarações aos jornalistas numa conferência de imprensa no Ministério das Relações Exteriores (MIREX), em Luanda, após um encontro com o seu homólogo angolano, Manuel Augusto.

Pompeo, que chegou no domingo à noite a Angola para uma curta visita, encontrou-se esta manhã no Palácio Presidencial da Cidade Alta com o Presidente da República, João Lourenço.

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Sobre uma eventual visita do Presidente norte-americano a Angola, Pompeo afirmou ter recebido um convite por parte do chefe de Estado angolano que irá entregar a Donald Trump, mas disse não estar em condições de responder se o encontro se poderá concretizar este ano, um “ano eleitoral” em que o Presidente dos EUA estará “muito ocupado”.

A visita de Mike Pompeo a Angola acontece um mês depois de o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação ter revelado 715 mil ficheiros, sob o nome de “Luanda Leaks”, que detalham esquemas financeiros da empresária Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, e do marido desta, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

Pompeo elogia esforços para tornar corrupção num “fantasma do passado” em Angola

O chefe da diplomacia norte-americano elogiou esta segunda-feira os esforços do Presidente João Lourenço para tornar a corrupção num “fantasma do passado”, mostrando-se confiante quanto à capacidade de Angola para atrair investimento estrangeiro.

Elogiando o “excelente trabalho” do Presidente João Lourenço nos seus primeiros dois anos e meio de mandato, para tornar a corrupção “num fantasma do passado”, Mike Pompeo considerou que se trata de um problema que tem travado o potencial do país “durante demasiado tempo”.

[João Lourenço] aumentou a transparência, obrigou as instituições financeiras a limpar os seus balanços e perseguiu os maus atores. Estou otimista que continuará a libertar Angola da corrupção”, enfatizou.

O responsável pela diplomacia dos Estados Unidos da América (EUA) afirmou também que todos estavam preparados para a visão de João Lourenço de uma “nova Angola”.

Governo, empresários, sociedade civil e o excelente povo angolano estavam claramente preparados para uma mudança e queriam relacionar-se com os países ocidentais e democráticos de uma forma que não era possível até há alguns anos. É por isso que aqui estou”, destacou Pompeo, acrescentando a vontade dos EUA de “criarem parcerias” com uma Angola que vê, no futuro, como “soberana, próspera e pacífica”.

Mike Pompeo declarou-se também “encorajado” pela determinação do governo angolano em privatizar 195 empresas e ativos do Estado que irão atrair investimento privado. Se a nova lei do investimento for bem aplicada, notou, “muitos mais investimentos norte-americanos e ocidentais” virão para “criar riqueza, empregos e oportunidades para os angolanos”. O que ajudará também o povo angolano a desenvolver os seus recursos, diversificar a economia e a desenvolver os setores da agricultura, turismo e tecnologia, disse.

O líder da diplomacia norte-americana falou igualmente sobre as parcerias norte-americanas já existentes na área da saúde e economia e assinalou que os EUA querem também reforçar a cooperação na área da segurança. Pompeo sublinhou ainda que os investimentos norte-americanos são “transparentes e claros” e que o objetivo é trazer dinheiro para beneficiar o povo angolano, tendo em conta as “enormes oportunidades” existentes, que podem contribuir para que Angola diversifique uma economia até agora quase exclusivamente assente no petróleo.

Segundo a agência noticiosa angolana, Angop, Mike Pompeo esteve com um grupo de seis mulheres empreendedoras angolanas capacitadas nos EUA, numa iniciativa que promove o profissionalismo.