“O Bruno [Fernandes] não ficou 100% feliz com a estreia mas há caminho pela frente e essa insatisfação parece-me um bom sinal. Teve uns dias para ir a casa, organizar-se, fazer as despedidas, e agora está pronto. Vamos para Marbelha e é uma oportunidade para nos reagruparmos e avaliar o que temos feito de bem pois não temos tido tempo para treinar. Temos oito ou nove dias antes do jogo com o Chelsea e no resto da época, se tudo correr bem, faremos dois jogos por semana”, comentou Ole Gunnar Solskjaer, treinador do Manchester United, no seguimento no nulo com o Wolverhampton e antes do estágio aproveitando a paragem na Premier League.

“É um futebolista muito, muito bom e o seu cérebro é obviamente mais rápido do que muitos outros. Tem imensas qualidades a que vamos ter de nos habituar. Vamos habituar-nos a ele e ele a nós. A qualidade e alcance dos seus passes, as assistências, os movimentos que faz. Estou muito satisfeito por vê-lo aqui a desfrutar. Ele treina e treina e treina, por isso a forma física e o entusiasmo dele são brilhantes. É complicado arrastá-lo dos treinos”, disse o técnico norueguês depois do estágio feito em Espanha e antes do duelo em Stamford Bridge.

Depois da estreia em Old Trafford pelo Manchester United frente ao Wolverhampton, onde foi um dos melhores da equipa, Bruno Fernandes tem prolongado a boa imagem deixada nesse primeiro encontro a cada dia que passa nos red devils. Os elogios sucedem-se de forma natural, dentro e fora do clube. “Traz qualidade à equipa. Tem uma boa variedade de passe, na forma de atacar, e isso é algo que a equipa precisa. Acho que também irá marcar golos”, disse Andy Cole, antigo avançado do clube e um dos melhores marcadores de sempre da Premier League. “É um jogador inteligente, com um passe mortífero e remate poderoso”, salientou Dimitar Berbatov, ex-dianteiro búlgaro dos ingleses. “Faz-me lembrar Juan Sebastián Verón”, acrescentou o antigo capitão Gary Neville.

Luís Figo, um dos três Bolas de Ouro portugueses, foi um dos últimos a falar do antigo jogador do Sporting, em declarações à Sky Sports. “É um jogador diferente. Não é um avançado mas sim um médio. O Bruno é um dos melhores jogadores portugueses. É um jogador de seleção e um médio que pode marcar golos. Tem qualidade para apontar golos e tem presença na área”, destacou. Esse era um dos grandes desafios de Frank Lampard, agora treinador do Chelsea mas também ele internacional, médio e com uma capacidade acima da média de chegar à baliza e marcar golos: travar o jogador que, na última temporada, conseguiu superar os 27 golos numa época do inglês. “Creio que são sempre fortes e serão ainda mais porque fizeram um bom negócio. O [Bruno] Fernandes é um jogador de topo. Marca golos, todos conhecemos os seus registos e tudo isso”, destacou o técnico dos blues.

Num dia triste para o Manchester United, que jogou com fumos negros em memória de Harry Gregg, ex-guarda-redes inglês que foi o melhor do Mundial de 1958, ano em que sobreviveu ao desastre aéreo de Munique que vitimou oito jogadores da equipa bicampeã inglesa entre 23 pessoas (sendo um dos heróis que conseguiu salvar os companheiros Bobby Charlton e Jackie Blanchflower e um bebé), e que faleceu esta segunda-feira aos 87 anos, o português foi de novo titular num sistema com três centrais onde tinha por função ligar a equipa aos avançados Martial e Daniel James. Nem sempre conseguiu o protagonismo que tinha em Portugal, nem sempre teve a bola e o espaço que beneficiava no Sporting, mas foi um dos grandes destaques no triunfo por 2-0 que pode mudar por completo a trajetória dos red devils na Premier League – e a possibilidade de chegar à Champions.

Reece James e Willian, ainda dentro dos dez minutos iniciais, tiveram os primeiros remates com perigo à baliza de David De Gea mas a saída por lesão de Kanté acabou por condicionar essa melhor entrada do Chelsea, que ficou demasiado refém da capacidade de Kovacic, muitas vezes sozinho, levar a bola ao setor ofensivo e fazer a ligação entre setores. Bruno Fernandes ia alternando entre a procura dos espaços entre linhas e o recuo até à linha de Matic e Fred, tendo uma primeira ameaça de fora da área sem perigo para a baliza de Caballero (33′). Em cima do intervalo, Aaron Wan-Bissak teve uma grande jogada pela direita, cruzou para a área e Martial surgiu mais rápido para desviar de cabeça e inaugurar o marcador num golo que mudaria o resto do encontro.

O Chelsea nunca conseguiu reagir à desvantagem e o Manchester United chegou à zona de conforto no jogo, com Bruno Fernandes a ter mais espaço para destacar-lhe em posse ou nas bolas paradas: aos 63′, rematou em jeito com o arco a circundar a barreira por fora ao poste da baliza de Caballero; três minutos depois, marcou o canto para Maguire apontar o seu primeiro golo pelos red devils, dando uma vantagem de dois golos que seria gerida até ao final entre sustos como um golo anulado por centímetros a Giroud (77′) e um livre ao poste de Mason Mount (89′) e uma substituição para os aplausos do antigo médio do Sporting que deu o lugar a Dalot nos descontos.

Com este resultado, o Manchester United sobe à sétima posição com 38 pontos, reabrindo por completo a luta pelo quarto lugar que tem na corrida o Chelsea (41), o Tottenham de José Mourinho (40), o Sheffield United (39), o Wolverhampton da armada portuguesa liderada por Nuno Espírito Santo (36), o Everton de André Gomes (36) e o Arsenal de Cédric (34), tendo em conta a distância para o terceiro, o Leicester de Ricardo Pereira (50).