O secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda, assina esta terça-feira um texto de opinião no Público onde procura rebater as várias críticas que têm sido feitas ao projeto para a construção de um novo aeroporto no Montijo, atirando contra opiniões “desinformadas ou tributárias de visões enviesadas de radicalismos e utopias muito pró neo-naturalismos”.

Uma das questões abordadas pelo secretário de Estado está relacionada com a preservação de espécies de aves que se encontram na zona do estuário do Tejo onde será desenvolvido o aeroporto complementar do Montijo — causa essa que mereceu uma petição contra aquele projeto por parte de uma associação ambientalista holandesa, que alega que o aeroporto pôr em causa a sobrevivência do maçarico, ave que migra entre África e a Holanda.

Sem referir esta petição em concreto, mas fazendo menção às objeções que apontam para o perigo para as aves daquele habitat, o secretário de Estado escreve: “Os pássaros não são estúpidos e é provável que se adaptem”. O governante acrescenta ainda que os pássaros estarão em condições de encontrar “outras rotas migratórias [e] outras paragens estalajadeiras”.

Alberto Souto de Miranda é também crítico das vozes ambientalistas que apontam para o aeroporto no Montijo como uma aposta contraproducente com a meta da descarbonização absoluta. Para o secretário de Estado, ironiza: “É natural que aos 16 anos se exija a descarbonização absoluta para ontem. São bons ideais e preconizam em caminho virtuoso. A realidade é, porém, mais diacrónica”.

O projeto de construção do aeroporto complementar do Montijo a partir da base militar que já existe recebeu a declaração de impacte ambiental positiva no início do ano, mas condicionada à adoção de um conjunto de medidas de mitigação dos impactos negativos. A autoridade ambiental reconhece que os principais efeitos negativos serão sentidos sobre a avifauna e a parte mais relevante das compensações que a ANA — Aeroportos de Portugal tem de assegurar está diretamente relacionada com a proteção de habitats para as aves.

Apesar da luz verde final, há ainda queixas na justiça portuguesa e na Comissão Europeia contra a decisão de avançar com o projeto colocadas por associações ambientalistas que ainda não desistiram de questionar a solução aeroportuária.

“Os aviões e os navios poluentes não vão acabar”, atira o governante. “Estigmatizar a mobilidade aeronáutica ou marítima é um erro infantil. É deitar fora o bebé com a água do banho, em vez de mudar apenas a água suja que importa substituir.”

Há também espaço para duas referências à ambientalista Greta Thunberg, de 17 anos. “Greta é um grito. E tem razão. Mas uma coisa são gritos de alerta, outra é vozearia de ocasião. Não permite ouvir o essencial”, diz. Mais à frente, defendendo que o aeroporto do Montijo será uma “solução aeroportuária suficiente [para Lisboa durante] os próximos 100 anos”, atira: “Talvez a Greta, na longevidade, então banal, dos seus 117 anos, aterre no Montijo, muito mais sábia e ciente das capacidades do Homem para se transformar e com uma pontinha de orgulho por ter contribuído para tal”.