A economia alemã deverá marcar passo este ano, antecipa uma das principais associações empresariais do país – o crescimento económico não deverá superar os 0,7%. O governo é mais otimista, prevendo um crescimento de 1,1% em 2020, mas um dos principais índices de confiança empresarial (o ZEW, que saiu muito abaixo das expectativas em fevereiro) veio cimentar a expectativa de que a maior economia europeia está “longe da euforia de uma recuperação” económica.

O lamento é de Martin Wansleben, diretor da DIHK, a Associação das Câmaras de Indústria e Comércio Alemãs (DIHK). A estimativa de crescimento da DIHK até foi revista em alta, para os tais 0,7%, mas isso deve-se a efeitos estatísticos e fatores de calendário.

“Mesmo que os resultados mais recentes melhorem um pouco a imagem nublada do outono de 2019, estamos longe da euforia de uma recuperação. Além disso, a incerteza relacionada com o coronavírus emergiu”, lamentou o diretor da DIHK, Martin Wansleben, acrescentando: “Há mais empresas a antecipar que a atividade de negócios seja pior este ano do que empresas que dizem o contrário”.

Desde o início do surto do coronavírus na China, as expectativas dos empresários em relação às exportações têm vindo a deteriorar-se, uma vez que várias empresas, como a Adidas AG e a Volkswagen AG, foram forçadas a encerrar lojas e fábricas temporariamente ao longo das últimas semanas. Segundo o relatório da DIHK, quase metade das 26 mil companhias inquiridas entre dezembro e janeiro apontam estas mudanças como prejudiciais para os seus negócios.

ZEW teve queda brusca (e muito pior do que o temido)

Num outro estudo, do ZEW, o índice de confiança dos empresários em relação ao futuro da economia alemã baixou para 8,7 pontos em fevereiro, uma descida súbita de 18 pontos face a janeiro deste ano. Antes da divulgação do indicador, uma sondagem de economistas já apontava para uma descida dos 26,7 pontos de janeiro para 21,5 – o que significa que a quebra foi muito mais pronunciada do que se previa.

Os dados sugerem que “o Covid-19 reintroduziu uma incerteza significante e atrasou qualquer recuperação”, pode ler-se numa análise do banco de investimento Morgan Stanley à qual o Observador teve acesso, que explica: “os dados de hoje são consistentes com um atraso na recuperação económica”.

No último relatório mensal do Bundesbank [o banco central alemão] prevê que não haja qualquer aceleração durante o primeiro trimestre, uma vez que o abrandamento provocado pelo vírus na China afeta as exportações alemãs e as cadeias de abastecimento globais”, conclui o banco, alertando para as consequências de um “impacto mais prolongado”.

O Covid-19 (coronavírus), no entanto, poderá não ser o maior desafio para a Alemanha, escreve a Bloomberg. O país tem estado a lidar com alguns problemas estruturais, como a transição da indústria automóvel para veículos elétricos, a viragem para o uso de energias renováveis e a falta de mão-de-obra qualificada.