A Huawei quase duplicou o número de contratos para fornecer redes móveis de quinta geração (5G) desde junho passado, de 50 para 91, revelou esta quinta-feira em Londres o diretor executivo da operadora, Ryan Ding.

Apesar da pressão dos EUA sobre países aliados para excluírem a empresa chinesa da expansão das suas redes, 47 dos contratos assinados até agora foram feitos na Europa, 27 na Ásia e os restantes 17 em países não especificados.

A Huawei é o principal fornecedor mundial de equipamentos de telecomunicações, mas os EUA alegam existir o risco de a empresa ser usada para espionagem pelas autoridades chinesas, o que a empresa refuta. Os norte-americanos colocaram o grupo chinês numa lista negra em maio de 2019, forçando empresas norte-americanas e outras estabelecidas no país a encontrarem outros fornecedores para os seus equipamentos de telecomunicações.

Porém, França e Reino Unido decidiram não excluir a Huawei do 5G, embora tenham colocado restrições, nomeadamente na participação no núcleo, onde são processados os dados transmitidos, e na presença em localizações sensíveis, como bases militares e centrais nucleares.

No final de janeiro, a Comissão Europeia aconselhou os Estados-membros a aplicarem “restrições relevantes” aos fornecedores considerados de “alto risco” nas redes 5G, incluindo a sua exclusão dos seus mercados para evitar riscos “críticos”, mas em nenhum momento se referiu diretamente à Huawei.

Segundo Ryan Ding, os negócios da Huawei continuam a crescer, tendo vendido até ao momento 600 mil antenas 5G, tendo o responsável revelado novos equipamentos que podem trabalhar com todas as gerações mais antigas, desde 2G até 4G, reduzindo custos e o espaço necessário aos operadores. Na sua apresentação, durante um evento em Londres para mostrar novos produtos e soluções, o responsável deu o exemplo de uma operadora cliente na Suíça, cuja velocidade alcançada com o 5G é quase mais do dobro do que a rival mais próximo.

Referindo o potencial do uso em atividades como fábricas, minas ou na agricultura, a Huawei lançou esta quinta-feira um Programa de Inovação para Parceiros no valor de 20 milhões de dólares (18,5 milhões de euros) para o desenvolvimento de novas aplicações para o 5G nos próximos cinco anos.

Uma área onde a inovação já está em fase de implementação é a transmissão de imagens de alta qualidade, tendo Ding revelado que já é possível usar transmissores 5G integrados em câmaras de filmar, eliminando o recurso a equipamentos que até agora tinham de ser transportados em camiões. “Em 2020, o 5G vai ser desenvolvido para além do imaginável”, afirmou.