O Banco Central Europeu (BCE) está disposto a manter a taxa de juro aplicada aos depósitos em terreno negativo para apoiar a economia da zona euro, considerando que persistem os riscos geopolíticos, indicam as atas divulgadas esta quinta-feira.

Nas atas da reunião de política monetária de 23 de janeiro, a instituição liderada por Christine Lagarde refere que a economia da zona euro parece estar a estabilizar, mostrando alguns sinais de recuperação, mas o contexto internacional parece dar lugar a dúvidas. Não aparece, no entanto, uma referência ao coronavírus.

O documento também destaca que o BCE vê “indícios” de que o último pacote de estímulos, aprovado ainda no final da liderança de Mario Draghi, está a dar resultados e melhorou as “condições financeiras”. “Os membros viram indicações de que o pacote aprovado em setembro no Conselho de Governadores está a ser transmitido de forma gradual à economia”, referem as atas.

O Conselho de Governadores também considera que estas medidas vão refletir-se na inflação, que tem estado afastada da meta definida pelo BCE (que é ligeiramente abaixo de 2%), apesar de uma leve recuperação na inflação subjacente (que exclui os preços dos alimentos e da energia por serem mais voláteis).

Na opinião maioritária dos membros do Conselho, a política monetária “acomodatícia” continua a ser necessária por “um período de tempo prolongado”.

O documento indica também que o BCE continua a avaliar as consequências do pacote de setembro “à luz de possíveis efeitos secundários”.

Em setembro, o BCE anunciou a compra de dívida no valor de 20.000 milhões de euros por mês a partir de 01 de novembro para apoiar a economia e estimular a inflação.

Na mesma reunião, o BCE decidiu descer a taxa aplicada aos depósitos que os bancos fazem junto do banco central para -0,50%, ao mesmo tempo que admitia a possibilidade de baixar de novo as taxas de juro, abandonando qualquer horizonte preciso para as aumentar.