Passou uma vez em direto. Uma vez em repetição. E outra. E mais outra. E mais duas uns minutos depois. Se a fotografia para ilustrar esta crónica pode parecer estranha, por não mostrar propriamente uma celebração, uma disputa de bola ou uma emoção durante o jogo, a própria realização televisiva do Rangers-Sp. Braga também andou meio atrapalhada depois daquilo que aconteceu logo aos 11 minutos. A imagem mostra o início do momento e o nome do grande protagonista da noite em Glasgow: o capitão dos minhotos, Fransérgio.

Numa altura em que o Sp. Braga levava já cinco remates e duas oportunidades flagrantes, com Raul Silva, Wallace e Bruno Viana a desperdiçarem um livre lateral batido por Sequeira que terminou num remate às malhas laterais antes de Trincão combinar bem com o estreante Abel Ruíz e rematar ao lado, o médio brasileiro encheu-se de fé e marcou um golos desta edição da Liga Europa com um grande tiro ao ângulo de fora da área que gelou o Ibrox Stadium e colocou em delírio os muitos adeptos bracarenses presentes na Escócia (11′).

Wallace, que se tinha lesionado poucos minutos antes, teve mesmo de sair para a entrada de Galeno, o que mexeu um pouco nas peças mas não na identidade da equipa de Rúben Amorim, que voltou a surpreender na entrada o Rangers de Steven Gerrard. Morelos, uma das grandes referências ofensivas dos escoceses e melhor marcador da Liga Europa (agora com os mesmos golos de Sporar, avançado do Sporting que se destacou na prova pelo Slovan Bratislava), obrigou depois Matheus a duas grandes intervenções que seguraram a vantagem antes de Trincão, perto do intervalo, rematar de pé esquerdo e ficar muito perto do 2-0 para os minhotos.

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No segundo tempo, com algumas correções posicionais à mistura por parte de Rúben Amorim que tiveram o condão de condicionarem ainda mais a saída do Rangers logo na sua área, Fransérgio voltou a agarrar na batuta e, explorando o jogo entre linhas, encontrou espaço com uma receção orientada para rematar de pé esquerdo à trave da baliza de McGregor (51′) antes de mais duas defesas milagrosas de Matheus e o 2-0 por Abel Ruíz, avançado espanhol que chegou do Barcelona B e não demorou a mostrar todo o seu potencial com um grande golo (59′).

Palhinha, em mais uma grande transição ofensiva, teve nos pés a hipótese de praticamente “matar” o jogo mas o coração do Rangers acabou por falar mais alto, num ambiente verdadeiramente frenético que acabou por trazer os seus frutos: Ianis Hagi, filho da antiga glória romena que passou por Barcelona e Real Madrid (e que estava na bancada a ver o encontro), reduziu com um remate colocado na área que bateu ainda no poste (67′) e Aribo, com uma jogada de pé esquerdo “à Messi” a fintar vários adversários, empatou (75′). Ficava tudo em aberto mas com a alma dos visitados a encher mais um pouco o tanque de forças para o que restava jogar e que ficou marcado por um lance com muita sorte à mistura onde Hagi marcou um livre, a bola desviou na barreira, mudou de trajetória, enganou Matheus e fez a reviravolta no encontro em 15 minutos (82′), naquela que foi a primeira derrota na era Rúben Amorim, dura pelo contexto mas ainda assim recuperável no jogo da segunda mão no Minho.