Novembro de 2018. Desde novembro de 2018, ainda com Rui Vitória, ainda com Bruno Lage na equipa B, ainda à procura da reconquista da Liga que na temporada anterior tinha caído para o FC Porto, que o Benfica não somava quatro jogos seguidos sem qualquer vitória. Um ano e três meses depois, já com Bruno Lage, já com a reconquista do título nacional garantida em maio, na liderança do Campeonato, o Benfica voltou a fazer quatro jogos seguidos sem conseguir ganhar. E já se torna difícil dizer que este não é a pior fase de Lage no comando técnico dos encarnados.

FC Porto, Famalicão, Sp. Braga, Shakhtar. Derrota, empate, derrota, derrota. As fragilidades defensivas, com especial frequência em Ferro nos últimos jogos e em Rúben Dias no desta quinta-feira, têm sido o calcanhar de Aquiles de um Benfica pouco intenso e pouco agressivo, que é cada vez mais uma sombra da equipa que na primeira volta da Liga concedeu pontos apenas uma vez, logo na terceira jornada, contra o FC Porto. Nos 16 avos de final da Liga Europa, os encarnados conseguiram ainda assim marcar um golo na Ucrânia que pode ser importante e decisivo na segunda mão, já na próxima quinta-feira na Luz.

No que toca ao historial em cenário de derrota na primeira mão de uma eliminatória europeia, o Benfica leva duas eliminações e duas passagens: caiu em 1988/89 e 2000/01 com o Liègeois e o Halmstads mas seguiu em frente em 1989/90 e em 2006/07 frente ao Marselha e ao PSG. No rescaldo da visita ao Shakhtar, Bruno Lage garantiu que a equipa sabia “que a eliminatória não ia ficar finalizada” na Ucrânia. “É um resultado que nos permite pensar ir em seguir em frente. A equipa teve uns bons momentos, chega ao golo, está 1-1 e ficamos por cima, na minha opinião. Acontece o que aconteceu e surge o 2-1”, explicou o treinador encarnado.

“É continuar a trabalhar. não há explicações. Erros cometem todas as equipas, mas neste momento estamos a ser muito penalizados pelos erros, sem bola e hoje até com bola. Empenhamo-nos ao máximo para ser melhores e continuar a trabalhar para que esta fase passe. É um facto: ao mínimo erro está a acontecer um golo do adversário e a equipa tem de saber reerguer-se dessa situação”, defendeu Lage, que acrescentou que preferiu “segurar o resultado” nos últimos minutos, com a entrada de Samaris, “porque a equipa estava num estado emocional em que estava a permitir transições ao adversário”.