O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (SITE Sul) alertou esta quinta-feira para a “agravada exploração” de milhares de trabalhadores do complexo industrial e portuário de Sines, (Setúbal), exigindo melhores condições laborais.

A precariedade está inerente ao trabalho à hora e esta questão é muito complicada e importa terminar porque reporta-nos para vínculos de trabalho quase da pré-revolução industrial, um grave problema que temos neste complexo industrial e temos de acabar com ele”, avançou esta quinta-feira à agência Lusa o coordenador local do SITE Sul, Hélder Guerreiro.

O sindicato, que esteve reunido em plenário na quarta-feira à noite, em Sines, juntou “pela primeira vez” cerca de 200 trabalhadores do complexo industrial e portuário de Sines num ato considerado pelo dirigente como “simbólico”. No encontro, os trabalhadores “de um vasto leque de empresas decidiram que deve ser dada prioridade à contratação local, estabeleceram um valor mínimo para a hora, que se deve fixar nos 20 euros, e exigiram a incorporação dos trabalhadores precários nos quadros das empresas quando estes desempenham funções permanentes”.

As empresas que trabalham e operam no complexo devem contratar prioritariamente os trabalhadores da zona e nenhum trabalhador do complexo deve receber menos de 20 euros”, adiantou o dirigente do sindicato que, de imediato, vai colocar estas questões à administração da Petrogal “uma das responsáveis pela situação que se passa no complexo”.

Para aquela estrutura, afeta à CGTP, o Complexo Industrial e Portuário de Sines “é cada vez mais uma máquina gigantesca de exploração dos trabalhadores, com particular destaque para os trabalhadores da manutenção industrial (montadores de andaimes e isolamentos, entre outros).

Segundo o coordenador do SITE Sul, a média de valores pagos por hora no complexo industrial de Sines “varia entre os oito e os onze euros” abrangendo um universo de “milhares de trabalhadores” que “estão descontentes com a degradação dos salários de há 15 anos para cá”.

Quem fala na Petrogal pode falar na Repsol, EDP, Ecoslops, Euroresinas, ou seja, todas as empresas que têm instalações industriais no complexo, mas neste caso, a Petrogal, por ter as maiores instalações, também tem mais responsabilidades nesta questão”, acrescentou.

De acordo com o dirigente, a existência de empresas de cedência de pessoal e de trabalho temporário “são a outra face do problema”.

Crescem como cogumelos e fazem de intermediários e de engajadores de mão de obra para as grandes empresas. No fundo há toda uma grande cadeia de exploração onde um trabalhador alimenta dois ou três patrões”, refere.

Os trabalhadores presentes na reunião, a grande maioria a exercer funções nas áreas de soldadura, tubagem, andaimes, isolamentos e serralharia mecânica, marcaram um plenário para dia 3 de março, “para apresentarem publicamente este caderno reivindicativo a todos os trabalhadores do complexo”, na portaria principal da refinaria de Sines.

Há um regime de há muitos anos a esta parte, o tal regime do trabalho à hora, que consiste na exploração massiva dos trabalhadores, ou seja não se pratica um valor/hora que permita aos trabalhadores do nosso complexo viverem dignamente e é isso que os leva a irem para fora com pesadas faturas familiares, afastamento dos filhos e das mulheres”, afirmou.

Face aos novos investimentos previstos para Sines, como a fábrica de hidrogénio, a expansão do Terminal XXI e a construção do Terminal Vasco da Gama, e o consequente “volume de obras” que se prevê no complexo, o sindicato entende ser necessário “sinalizar” este problema “no sentido de garantir aos trabalhadores salários dignos”.

O caderno reivindicativo, que exige igualmente “melhorias ao nível das condições de higiene e segurança no trabalho”, será entregue por uma delegação, composta por trabalhadores e sindicalistas, à administração da Petrogal em Lisboa.