O bastonário da Ordem dos Médicos apelou esta sexta-feira aos diretores de serviço demissionários do Serviço Regional de Saúde da Madeira (Sesaram) que retrocedam na decisão e desafiou a tutela a fazer uma consulta interna para a nomeação do diretor clínico.

Miguel Guimarães esteve esta sexta-feira no Funchal, Madeira, onde se reuniu com os médicos do Hospital Dr. Nélio Mendonça, e com o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, e deu posse ao novo Conselho Médico da Madeira da Ordem dos Médicos, que passa a ser presidido, até 2022, pelo oftalmologista Carlos Martins.

Esta tomada de posse decorreu num período de crise na classe médica madeirense marcada pela demissão de 33 diretores de serviço que se opõem à designação do ortopedista e ex-deputado do CDS-PP na Assembleia Legislativa da Madeira Mário Pereira como diretor clínico do Serviço Regional de Saúde (Sesaram).

Mário Pereira foi nomeado pelo Governo Regional, de coligação PSD/CDS/PP, em conformidade com o acordo político subscrito por estes dois partidos com vista a assegurar uma solução governativa no arquipélago por não ter havido maioria absoluta nas eleições legislativas regionais de 22 de setembro.

Acho que deve ser feita uma consulta pública, através do Conselho de Administração [do Sesaram], aos médicos que devem ser ouvidos. Esta não é uma solução nova, isso fazia-se no passado, é uma solução para desfazer todas as dúvidas. É importante que os médicos levantem a sua demissão, ou seja, anulem o seu pedido de demissão, mas, em contrapartida, seja feita uma consulta a todos os médicos sobre quem é que deve ser o diretor clínico”, defendeu Miguel Guimarães.

O bastonário da Ordem dos Médicos alertou que, se se mantiver “este tipo de atitude e se ela permanecer durante mais algumas semanas, é muito complicado”.

“O apelo que deixei foi ao Conselho de Administração como sugestão. Eu agora vou escrever uma carta dirigida ao secretário regional da Saúde, dr. Pedro Ramos, com conhecimento ao senhor presidente do Governo Regional da Madeira, a explicar aquilo que foi o resultado desta visita e a apontar duas ou três soluções porque a Ordem dos Médicos quer estar do lado da solução, não quer estar do lado do problema”, adiantou.

Para o bastonário, “o que é importante é que os médicos que estão na Madeira, e que fazem um trabalho extraordinário, continuem a trabalhar da mesma maneira e que não saiam para o setor privado e deixem o setor público, porque se começa a acontecer na Madeira aquilo que tem acontecido no continente, é uma desgraça”.

Miguel Guimarães lembrou que o “continente está, neste momento, com imensas dificuldades, o número de médicos que sai do serviço público é maior do que aquele que está a entrar, contrariamente àquilo que o primeiro-ministro tem dito, e, isso, está a ter reflexos em tempos de espera para cirurgia, para consulta, de ultrapassagem dos tempos máximos de resposta garantidos, o que não é aceitável”.

“A Madeira tem feito bons progressos na área da saúde ao nível publico nos últimos anos e é bom que isso continue”, concluiu.

O secretário regional da Saúde reconheceu haver “opiniões diferentes” nos 5.600 profissionais do Sesaram, entre os quais 1.070 são médicos, mas sublinhou que “não muda de opinião”, que tem “confiança” nos mesmos e que “o compromisso