O “pesadelo humanitário” que está a acontecer em Idlib, no noroeste da Síria, “deve acabar” e “agora”, afirmou esta sexta-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, sem avançar, porém, qualquer iniciativa específica para tentar pôr fim aos confrontos naquela região.

“A mensagem é clara”, disse o representante, em declarações à comunicação social, prosseguindo: “Não há uma solução militar para a crise síria. A única solução permanece política”.

É crucial romper com o círculo vicioso da violência e do sofrimento”, reforçou o secretário-geral da ONU, expressando ainda a sua preocupação perante os relatos que indicam que os confrontos estão a aproximar-se de áreas densamente povoadas.

Os confrontos no noroeste da Síria já provocaram a fuga de 900 mil pessoas, a grande maioria mulheres e crianças, desde o início da ofensiva militar conduzida pelas forças governamentais sírias, apoiadas pela Rússia (aliado tradicional de Damasco), em dezembro último, denunciou esta semana a ONU.

O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA) frisou recentemente que os sírios que estão no noroeste “estão a enfrentar uma das piores crises desde o início da guerra na Síria”.

“Cerca de 2,8 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária no noroeste da Síria“, disse ainda Antonio Guterres, lançando um apelo para uma nova extensão de doações na ordem dos 500 milhões de dólares (cerca de 460 milhões de euros) para cobrir os gastos humanitários esperados para os próximos seis meses.

A região de Idlib, considerada como o último grande reduto da resistência contra o Presidente sírio, Bashar al-Assad, é controlada em parte pelo Organismo de Libertação do Levante, uma aliança que integra o grupo ‘jihadista’ Hayat Tahrir al-Sham (HTS, grupo controlado pelo ex-braço sírio da Al-Qaida), e grupos rebeldes, alguns dos quais apoiados pela Turquia.

Durante uma conversa telefónica, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, exortou hoje o seu homólogo russo, Vladimir Putin, a “travar” o regime sírio na província de Idlib.

Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.

Num território fragmentado, o conflito civil na Síria provocou, desde 2011, mais de 380 mil mortos, incluindo mais de 100 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.