Na passada segunda-feira, como em todos os dias da semana, Sofia, uma bebé de apenas 2 anos, entrou na carrinha de transporte escolar rumo à creche do Centro Paroquial de Assistência do Juncal, no concelho de Porto de Mós, com o irmão e a irmã mais velhos, já a frequentar a escola primária.

Quando a viagem terminou, ao contrário do que é habitual, a bebé não seguiu para a creche. Em vez disso, enquanto todas as outras crianças abandonavam a carrinha, ficou presa à cadeira de viagem, sem que funcionários ou motorista dessem por isso. A carrinha ficou fechada e estacionada à porta da instituição durante o dia inteiro — Sofia ficou lá dentro. Ninguém deu pela falta da bebé, que passou oito horas ali sozinha, sem comer nem beber.

Por volta das 18h, as três crianças foram devolvidas a casa, onde a avó materna estava à espera, sem que fosse proferida uma única palavra sobre o assunto. Só à noite, quando os responsáveis pela instituição lhe bateram à porta é que Lina Pereira, mãe da bebé, soube o que tinha acontecido. Retirou imediatamente a filha da creche e cancelou o transporte dos dois irmãos. Entretanto apresentou queixa na GNR local contra a instituição.

À SIC, que este sábado deu a notícia, Lina Pereira contou que naquele dia, como em todos, quando chegou a casa do trabalho perguntou à filha se a escola tinha corrido bem, e se tinha brincado com os outros meninos. A bebé respondeu-lhe que não: não tinha brincado, tinha “ficado de castigo”. Nem por um segundo suspeitou que pudesse ter ficado o dia todo sozinha, dentro da carrinha onde a tinha deixado de manhã.

“Explicaram-me que tinha acontecido algo grave, que ela tinha ficado das 9h às 17h dentro da carrinha fechada”, contou Lina Pereira, que agora acusa o Centro Paroquial de Assistência do Juncal de negligência, segundo conta na reportagem daquele canal.

De acordo com a mãe de Sofia, quando ao final do dia a descobriram na carrinha, ainda com o cinto posto, as funcionárias da creche deram-lhe água, um iogurte e bolachas. Mas não levaram a bebé ao médico, nem tão pouco informaram a avó do que tinha acontecido quando a deixaram em casa, o que considera inaceitável.

O Observador tentou contactar o Centro Paroquial de Assistência do Juncal, mas não obteve resposta.