Ludovic Lazareth é um preparador francês de carros e motos, sediado em Annecy-le-Vieux. Nada nele é convencional, previsível ou até, por vezes, racional. A paixão pela mecânica e por tudo o que mexe começou há muito, tendo iniciado a formação na Escola Espera Sbarro. Ascendeu depois a discípulo do estilista e criador italo-suíço Franco Sbarro e daí saltou para as corridas do Trophée Andros, onde colaborou na evolução do Mega Track V12, para se tornar independente em 1998, criando a Lazareth Auto Moto.

Sendo mais conhecido pelas motos do que pelos carros que produz, Ludovic agitou o mundo com a sua Lazareth LM 847, apresentada em 2016. Além de ser um veículo de duas rodas com quatro, em que as duas do mesmo eixo se podem deslocar uma em relação à outra, para permitir a inclinação do veículo, condição necessária para poder descrever curvas, a LM 847 vai ficar para a história pelo seu impressionante motor. Em vez de equipar a sua “moto” com um motor de um, dois, três ou quatro cilindros, o normal em motos, Ludovic resolveu montar uma unidade com oito cilindros em V, com 4,7 litros de capacidade, herdado de um Maserati.

Por um lado, o imenso motor V8 pode limitar o veículo (pesa mais de 400 kg, quando uma moto superdesportiva completa, com motor e tudo, fica bem abaixo dos 200 kg). Mas, por outro lado, compensa a LM 847 ao disponibilizar a brutalidade de 470 cv, potência que, se faz voar um automóvel, é fácil de imaginar o que fará a uma moto.

Como se não bastasse a LM 847, a Lazareth veio agora a público com a sua mais recente criação, com o mesmo tipo de quadro (ou chassi, pois face à complexidade do veículo é difícil decidir qual o termo mais indicado). A LM 410 mantém essencialmente tudo o que interessa da LM 847, mas substitui o imponente 4.7 V8 atmosférico por uma unidade de quatro cilindros com 998 cc e 197 cv. E, atenção, que não se trata de um motor qualquer, uma vez que é exactamente o mesmo da Yamaha R1, a moto mais desportiva da marca nipónica.

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O peso muito elevado desapareceu e (lamentavelmente) o roncar apaixonante do motor V8 também. Mas a LM 410 promete ser mais ágil e mais barata. Apesar do brilhantismo do projecto, a questão que se coloca é quem estará na disponibilidade de pagar 100.000€ pela LM 410? A resposta será exactamente os mesmos clientes que, por este valor, ou quase, optaram por uma superdesportiva que se parece com uma antiga moto de moto GP, como a que as que alguns fabricantes comercializaram, a começar pela Aprilia. Com muito menos tecnologia a justificar o preço absurdo.