Em 2016/17, com a aposta de alguns clubes da Primeira Liga masculina no futebol feminino, o Campeonato que durante muitos anos esteve circunscrito ao 1.º de Dezembro e que abriu depois a outras equipas como Futebol Benfica, Atlético Ouriense, Albergaria ou Valadares Gaia passou a ser dominado por dois conjuntos: Sporting e Sp. Braga. Com as leoas a ganharem dois Campeonatos, duas Taças de Portugal e uma Supertaça, com as minhotas a inverterem a tendência com uma Supertaça e um Campeonato. No entanto, e no meio desta bipolaridade, houve uma equipa que mesmo na 2.ª Divisão começou a dar nas vistas. E que continua a dar, acrescente-se.

Enquanto batia recordes no escalão secundário com goleadas atrás de goleadas, o Benfica foi ao Jamor bater o Valadares Gaia por 4-0 na final da Taça de Portugal depois de ter invertido a derrota por 2-1 com o Sp. Braga na Tapadinha para um 4-2 no 1.º de Maio que valeu a passagem nas meias. Nova época, novo sucesso, com um triunfo pela margem mínima na Supertaça. Em 20 jogos realizados na presente temporada, o conjunto de Luís Andrade teve apenas um empate na Taça da Liga com o Sporting. Este domingo, havia novo dérbi.

Com as leoas agora orientadas por Susana Cova a vencerem o Sp. Braga na primeira e na segunda volta, e com o Benfica a ser também mais forte no Minho, a luta pelo Campeonato fechou-se aos dois rivais lisboetas e com uma vantagem grande para as encarnadas, que tinham ganho por 3-0 na Luz num jogo que marcou também o recorde de assistências numa partida de futebol feminino (12.812 espetadores). Assim, em termos práticos, e olhando para o calendário, o cenário era fácil de perceber: em caso de vitória ou empate das águias, o título ficava (no mínimo) muito encaminhado; em caso de triunfo das leoas, ia ser até à última jornada e muito provavelmente com a diferença de golos no confronto direto a ditar leis. Por isso, o golo de Diana Silva ao minuto 90, que deu a vitória ao Sporting por 3-2, acabou por deixar em aberto a disputa da Liga feminina.

Após um ligeiro ascendente encarnado a abrir, a primeira oportunidade flagrante até pertenceu à equipa verde e branca, com Carolina Mendes a surgir isolada na área após erro da defesa contrária mas a permitir a defesa de Dani Neuhaus. O Sporting não marcou, o Sporting sofreu: apenas dois minutos depois, Júlia Spetsmark inaugurou o marcador após grande assistência de Darlene, naquele que foi o golo 100 do Benfica na Liga (14′). O líder tinha outro conforto no resultado para gerir mas a reação foi forte e bastaram três minutos para as leoas conseguirem mesmo a reviravolta num penálti marcado pela capitã Nevena Damjanovic (25′) e num grande golo de Raquel Fernandes, num chapéu à guarda-redes contrária após erro na saída de bola das visitantes (28′).

Carolina Mendes ainda teve mais uma boa chance mas o resultado chegaria mesmo com 2-1 ao intervalo, o que motivou uma entrada mais forte e pressionante do Benfica a abrir que trouxe os seus frutos aos 63′, num remate forte de meia distância de Cloé Lacasse que bateu ainda no poste da baliza de Patrícia Morais. Na parte final, o Sporting arriscou tudo, teve uma oportunidade flagrante com Raquel Fernandes isolada na área a atirar ao lado e conseguiu mesmo chegar ao golo da vitória ao minuto 90, com Diana Silva a desviar de cabeça na área um livre lateral batido por Joana Marchão para o 3-2 que colocou os rivais com 42 pontos na Liga, ainda que com vantagem para as encarnadas no confronto direto depois do 3-0 conseguido na Luz.