Cerca de 20 famílias residentes em construções clandestinas na Quinta da Parvoíce, em Setúbal, foram notificadas para abandoná-las, segundo o pároco local, mas o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) diz não prever demolições que envolvam realojamentos.

O pároco da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Bela Vista, disse esta segunda-feira à Lusa que as famílias foram notificadas para abandonar até esta segunda-feira as casas através de editais colocados nas construções clandestinas, porque iriam ser demolidas. O padre Constantino Alves, que fez a denúncia pública da ameaça de despejo, advertiu que, entre os moradores sob ameaça de despejo, “há duas pessoas que estão em tratamento oncológico e uma deficiente motora” e defendeu a necessidade de se encontrarem soluções para o realojamento das famílias em causa.

Constantino Alves deu como exemplo o caso que ocorreu há cerca de cinco anos com 55 famílias que viviam em condições semelhantes nas instalações da antiga unidade industrial Mecânica Setubalense.

A situação dos moradores na antiga Mecânica Setubalense acabou por ser resolvida com o realojamento de todas as famílias em casas desabitadas do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, mediante o pagamento de rendas sociais”, disse Constantino Alves.

A agência Lusa contactou a Câmara Municipal de Setúbal, mas a autarquia sadina, que disse ter cerca de mil pedidos de habitação pendentes sem habitações disponíveis para atribuir, remeteu explicações para o IHRU, proprietário dos terrenos em causa.

Por sua vez, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação disse que o IHRU lhe garantiu não estar prevista a demolição de casas que envolvesse o desalojamento de qualquer família na área. O Ministério das Infraestruturas e da Habitação adiantou ainda que irá reunir-se na quarta-feira com o IHRU e a Câmara Municipal de Setúbal para analisar a situação relativa aos terrenos circundantes à Quinta da Parvoíce.

Em declarações à Lusa a propósito deste caso, o bispo de Setúbal afirmou hoje que o país não pode andar a processar pessoas que maltratam os animais e depois despejar pessoas que vivem em habitações clandestinas por não conseguirem suportar o aluguer de um apartamento.

A nossa sociedade vai permitir que se coloquem pessoas na rua quando se fazem processos a alguém que trata mal dos cães”, questionou José Ornelas.

O bispo de Setúbal referiu que há famílias a viver na Quinta da Parvoíce não porque querem, mas porque “foram obrigadas a abandonar as casas onde viviam, por não conseguirem suportar o aumento das rendas”.