Um grupo de garimpeiros ilegais feriram gravemente, no sábado, três seguranças e incendiaram uma viatura numa mina de rubis em Cabo Delgado, norte de Moçambique, disse esta segunda-feira à Lusa a polícia moçambicana.

Os garimpeiros estavam a fazer exploração ilegal e foram surpreendidos por cinco seguranças. Quando os seguranças tentaram intervir, foram agredidos “, disse Augusto Guta, porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Cabo Delgado.

As vítimas eram seguranças da Montepuez Ruby Mining (MRM), que detém 33 mil hectares de concessão para exploração de rubis em Montepuez, na província de Cabo Delgado.

“Eles usaram picaretas e catanas para nos ameaçar. Iam ferir-me na cabeça, mas eu trazia um chapéu, então a picareta escorregou e rasgou todo o meu lábio”, disse Custódio Juliano, um dos seguranças feridos, citado esta segunda-feira pelo canal privado Stv. As vítimas permanecem internadas no Hospital Provincial de Pemba.

A avaliar pela estratégia dos garimpeiros a empresa suspeita que se tratava de um grupo de “pessoas preparadas militarmente” e pertencentes a uma rede de tráfico internacional, segundo fonte da Montepuez Ruby Mining citada pela Stv.

A Montepuez Ruby Mining apresenta-se como a principal investidora na extração de rubis em Moçambique, sendo detida em 75% pela Gemfields e em 25% pela Mwiriti Limitada.

A empresa tem vindo a alertar para as consequências do garimpo ilegal na região, denunciando o que classificou de “escravatura moderna” a que muitos jovens são sujeitos, a mando de traficantes de pedras preciosas no mercado internacional, nas jazidas dentro da concessão da empresa.

No dia 6, 11 garimpeiros ilegais morreram devido ao desabamento de terra na mesma mina.

A mina de Montepuez foi notícia a nível internacional no ano passado devido a um processo judicial. Em janeiro de 2019, a Gemfields aceitou pagar um acordo extrajudicial de 8,3 milhões de dólares para pôr termo a 273 queixas de mortes, espancamentos e outras violações de direitos humanos junto à mina, executadas por segurança privada e polícias entre 2011 e 2018. A firma admitiu os acidentes, mas nunca a responsabilidade pelos mesmos.