As vendas de veículos novos evitaram fechar em baixa em 2019 mesmo no limite, pois foram exactamente as unidades comercializadas em Dezembro que transformaram uma queda ligeira num magro crescimento de 1,1%. E, curiosamente, o que permitiu inverter a tendência foram os próprios fabricantes, cuja necessidade de se livrar dos modelos mais poluentes até final de 2019, que poderiam elevar a média de emissões de CO2 em 2020 e, logo, submetê-los a pesadas multas, levou a matriculações em massa de automóveis que agora tentarão escoar durante os próximos meses.

Numa Europa a 27, que consumiu sempre um pouco mais de 15 milhões de unidades anualmente, desde 2016, a Alemanha voltou a assumir-se como a locomotiva europeia, com 3,61 milhões de veículos transaccionados, mais 5% do que no ano anterior, o que se compreende pois as marcas germânicas tinham maior necessidade de se livrar de automóveis mais potentes e, por isso mesmo, mais poluentes. Entre os mercados do top 5 só descem em volume o Reino Unido (2º com -2,4%) e Espanha (5º com -3,7%), com a já mencionada Alemanha a subir, bem como França (1,8%) e Itália (0,3%). Se alargarmos a análise para o top 10, a Áustria (-3,5%) é o único país que também vê as vendas caírem, sendo que se aumentarmos a parada para o top 15, encontramos igualmente a República Checa (-4,4%) e Portugal (-1,1%) em perfeita sintonia com o mercado.

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Entre as marcas, a Volkswagen mantém uma liderança confortável sobre a Renault (veja na fotogaleria o ranking das vendas), sendo a Dacia (13%) e a Seat (10%) as marcas que mais sobem na procura, enquanto a Nissan é a que mais cai (-20%).

A preferência dos europeus continua a manifestar-se cada vez mais sensível aos SUV, cuja procura é a única a subir (de 35% para 38%), à custa de pequenas quebras nas restantes categorias.

Entre os modelos mais populares, o Volkswagen Golf continua a ser quem mais vende, apesar de ter caído 8% de 2018 para 2019, seguido do Renault Clio (-5%), Volkswagen Polo (-14%), Ford Fiesta (-16%) e Volkswagen Tiguan (+1%). De realçar aqui as subidas de modelos como o Volkswagen T-Roc (46%), Mercedes Classe A (28%), Dacia Duster (24%), Ford Focus (14%) e Dacia Sandero (6%).

No que respeita ao tipo de combustível, os motores a gasóleo continuam a perder clientes, com mais uma queda de 36% para 31%, perda que foi aproveitada pelos motores a gasolina (subiram de 57% para 59%) e pelos modelos eléctricos e electrificados (subiram de 6% para 8%). Entre estes, a percentagem de modelos eléctricos subiu de 20% para 28%, enquanto os híbridos caíram de 59% para 56% e os híbridos plug-in de 19% para 16%.

A liderança no segmento dos eléctricos pertenceu ao Model 3 da Tesla, que comercializou 94.495 unidades, classificando-se assim à frente do Renault Zoe (45.682), BMW i3 e Nissan Leaf. Os Toyota Corolla/Auris (124.453) foram os que mais venderam entre os híbridos, seguidos pelo C-HR (108.369) e pelo Yaris (104.607), num domínio esmagador do construtor japonês neste tipo de solução tecnológica. Entre os híbridos plug-in, o Mitsubishi Outlander PHEV (33.062) manteve-se como líder de vendas. Conheça os pormenores dos restantes resultados nas tabelas publicadas acima.